Agricultores franceses voltaram às ruas nesta quinta-feira (8) para protestar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo a Reuters, manifestantes bloquearam, ainda antes do amanhecer, rodovias de acesso a Paris e a pontos turísticos da capital francesa.
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Os atos foram convocados pelo sindicato Coordination Rurale, que teme que o acordo de livre comércio facilite a entrada de alimentos mais baratos da América do Sul no mercado europeu, ampliando a concorrência sobre os produtores locais.
A França tem liderado a resistência ao tratado e conseguiu, no fim de 2025, adiar a assinatura do acordo, prevista para 20 de dezembro, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu.
França endurece regras para importação de frutas da América do Sul
Em meio às pressões do setor agrícola, o governo francês anunciou que vai barrar a entrada de produtos agrícolas importados que apresentem resíduos de defensivos proibidos na União Europeia. A medida foi divulgada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
Segundo ele, a decisão será formalizada por meio de uma portaria do Ministério da Agricultura, comandado por Annie Genevard. O texto deve vetar mercadorias com resíduos de mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.
Frutas como abacate, manga, goiaba, cítricos, uvas e maçãs estão entre os produtos citados. A fiscalização nas fronteiras também será reforçada com a criação de uma brigada especializada.
Itália sinaliza apoio
Apesar da resistência francesa, a Comissão Europeia avançou nas negociações e conquistou o apoio da Itália, que até então se opunha ao tratado, ao lado de França, Polônia e Hungria.
Com a mudança de posição italiana, o bloco europeu pode alcançar a maioria necessária, 15 Estados-membros que representem ao menos 65% da população da União Europeia, para a efetivação do acordo, possivelmente já na próxima segunda-feira (12).
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, havia pedido mais tempo para dialogar com agricultores do país, preocupados com a concorrência de produtos agropecuários de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. O apoio veio após a Comissão Europeia propor a aceleração de € 45 bilhões em recursos para o setor agrícola.
Já o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, destacou que a União Europeia passou a discutir o aumento, e não a redução, dos investimentos no agro no período de 2028 a 2034.
*Com informações da Reuters e RFI
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