Um ato convocado por partidos de esquerda e movimentos sociais em São Paulo para lembrar o 8 de janeiro de 2023 e defender a democracia foi marcado por falas em apoio ao veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria. Aprovado pelo Congresso, o texto que reduz penas de envolvidos na trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi vetado por Lula. Agora, a pressão dos ativistas é para que os congressistas não derrubem o veto presidencial e enterrem a proposta.
A manifestação, realizada nesta quinta-feira (8), no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na região central, contou com a presença de parlamentares e militantes de esquerda. Eles repetiram o coro de “sem anistia” e pediram a manutenção das penas de Bolsonaro e outros condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) disse que os atos em defesa da democracia realizados nesta quinta em São Paulo e outras capitais buscam estabelecer um clima de mobilização para que o Congresso mantenha o veto de Lula. “A pressão tem que ocorrer de fora para dentro, assim como foi no PEC da Blindagem”, afirmou.
O ator Paulo Betti leu uma carta durante a manifestação pedindo a manutenção do veto ao PL da dosimetria e conclamando o público a eleger neste ano deputados e senadores “comprometidos com a democracia”. Representantes dos partidos Psol e PCdoB também compareceram. Cartazes e faixas exibidos no espaço pediam “cadeia para golpistas”. Uma representação com a foto de Bolsonaro preso também foi montada no local.
No início do ato, houve um tumulto no salão da faculdade, envolvendo o ex-deputado estadual Douglas Garcia e o vereador da capital paulista Rubinho Nunes (União Brasil). Os dois representantes da direita fizeram provocações aos participantes do ato e foram expulsos do local aos gritos de “recua, fascista”. No meio da confusão, houve trocas de agressões entre os políticos e parte dos manifestantes pró-democracia.
Confusão em ato pró-democracia
Já fora da faculdade, Garcia e Nunes disseram à reportagem que se machucaram. O ex-deputado, que estava com a camiseta rasgada, teve o rosto molhado com água e disse ter revidado ataques. Já o vereador afirmou que foi atingido por um objeto, provavelmente um copo plástico com água, lançado na direção de seu rosto, e que avaliaria registrar um boletim de ocorrência. Ambos deixaram o local após o tumulto.
Os dois relataram que foram ao local para “fazer questionamentos” sobre a realização do ato em uma universidade pública. O evento foi promovido no prédio da USP a pedido do Centro Acadêmico 11 de Agosto, que solicitou o uso do espaço para a atividade, sem vinculação direta com questões acadêmicas ou com a direção da faculdade.
No palco do ato, o ex-deputado e ex-presidente nacional do PT José Genoino teve papel de destaque e foi um dos oradores. O petista defendeu a pressão popular, nas ruas, para tentar impedir a derrubada do veto ao PL da dosimetria. “Eles querem aprovar a dosimetria na forma de acordão”, criticou.
O deputado federal Ricardo Galvão (Rede-SP) afirmou que o campo progressista e o governo Lula precisam buscar o apoio de parlamentares do centro para impedir a derrubada do veto.
“A extrema-direita está fortíssima. Não basta fazer discurso para nossa própria paróquia. Tem um centro na Câmara que está se articulando com a extrema-direita. Acredito que esses podem ser convencidos”, disse Galvão. “Não são aqueles com ideologia fortíssima. Esses nós temos que convencer. Vai ser necessária articulação muito séria para evitar a derrubada do veto.”
Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia