Mais do que utilizar agentes de inteligência artificial no trabalho, a maioria dos profissionais brasileiros já sabem configurá-los para otimizar tarefas e processos. É o que revela a Adapta, maior ecossistema de IA generativa do país: em seu novo estudo sobre a maturidade em IA nas empresas, 6 em cada 10 entrevistados afirmaram ao menos configurar agentes para atividades específicas — sendo que 28,4% já combinam diferentes tecnologias ou desenvolvem seus próprios agentes dentro das organizações.
A tendência, vale dizer, acompanha o movimento que vem sendo observado dentro das companhias nos últimos anos. Um levantamento recente do Google Cloud indica que 62% das lideranças brasileiras (de CEOs a diretores) já utilizam agentes de IA em suas operações, reforçando que a tecnologia passou a ocupar um papel central nas estratégias corporativas.
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Esse avanço no domínio dos agentes pode estar ligado às iniciativas de capacitação oferecidas pelas empresas. No levantamento da Adapta, por exemplo, 37,2% dos profissionais relataram ter recebido treinamentos frequentes em IA em 2025, enquanto cerca de 34% tiveram acesso a cursos introdutórios e materiais de apoio, como trilhas e tutoriais internos — sugerindo que parte da habilidade em configurar e combinar agentes é resultado desse investimento em formação.
Mapeando o uso de IA nas empresas em 2025
O estudo da Adapta também buscou entender como os profissionais avaliam o próprio domínio de IA em 2025 — e os dados mostram um cenário interessante. Embora 16,6% deles tenham declarado usar pouco a tecnologia, a maior parte disse utilizar a IA de maneira prática no dia a dia. Quase metade (49%) afirmou usar ferramentas prontas na empresa, enquanto 34,4% já aplicam IA de forma estratégica, desenvolvem soluções próprias ou criam novos fluxos de trabalho com apoio dessas tecnologias.
Quando o recorte se volta especificamente para os agentes de IA, o grau de maturidade também chama atenção: apenas 7,4% dos entrevistados disseram não utilizar agentes no trabalho. A maioria, por sua vez, opera em níveis intermediários ou avançados: 34,6% configuram agentes para tarefas específicas da área e 28,4% já combinam diferentes agentes ou os desenvolvem nas empresas — percentual que reforça a ascensão de profissionais mais autônomos e tecnicamente preparados.
A percepção sobre a liderança segue a mesma tendência. Para 71,6% dos respondentes, seus gestores diretos possuem conhecimento intermediário ou avançado em IA, integrando diferentes tecnologias nas rotinas e tomando decisões com apoio de modelos generativos. O dado indica que, além da adoção individual, o uso da inteligência artificial começa a se consolidar também na camada estratégica das organizações, impulsionando mudanças estruturais na forma de liderar e operar.
Dos treinamentos aos workshops
Se por um lado cresce o uso de IA e agentes no ambiente de trabalho, por outro, as empresas começam a acompanhar esse movimento com iniciativas de formação mais estruturadas… embora os conteúdos nem sempre sejam suficientes para o trabalho das equipes.
Em 2025, 37,2% dos profissionais relataram ter recebido capacitações frequentes para atualização em IA, indicando que o tema já entrou na agenda de desenvolvimento das organizações. Outros 34,2% tiveram acesso a cursos introdutórios, enquanto 33,6% receberam materiais de apoio, como trilhas, tutoriais e vídeos internos.
Apesar dos avanços, a percepção sobre a qualidade das capacitações ainda revela pontos de atenção. O maior problema apontado pelos profissionais (27,6%) foi o excesso de teoria, com treinamentos pouco aplicáveis ao trabalho real — justamente o tipo de abordagem que dificulta a evolução no uso de agentes e ferramentas mais avançadas. Além disso, 23,4% afirmaram que o conteúdo ao longo do ano permaneceu superficial, limitado a materiais que não acompanharam a velocidade das mudanças tecnológicas.
Diante dessas limitações, não surpreende que o principal desejo dos profissionais para 2026 seja justamente a oferta de treinamentos práticos: 53,8% querem aprender a usar ferramentas e agentes de IA de forma aplicada, no contexto real de suas funções. “A demanda reforça que, para avançar no nível de maturidade digital, as empresas precisarão investir menos em teoria genérica e mais em experiências hands-on, capazes de acelerar a autonomia e a experimentação dentro das equipes”, comenta Eduardo Coelho, Head de Marketing da Adapta.
Afinal, quais habilidades em IA os brasileiros querem aperfeiçoar em 2026?
Quando o assunto é desenvolvimento profissional, os entrevistados já têm clareza sobre quais competências desejarão aprender ou aprimorar no próximo ano. Entre as habilidades mais citadas aparecem, por exemplo, a análise de dados com IA (44,6%), capaz de gerar insights estratégicos a partir de grandes volumes de informações, e a engenharia de prompt (43%), vista como essencial para criar instruções mais precisas e extrair resultados de maior qualidade das ferramentas.
Também ganha destaque, para muitos deles, a visão estratégica aplicada à IA (41,6%), habilidade que permitirá aos profissionais orientar equipes, integrar tecnologias ao dia a dia e tomar decisões mais embasadas. “Isso reforça como, em 2026, dominar IA não será apenas saber operar ferramentas, mas compreender como elas se conectam aos objetivos e resultados do negócio”, destaca Eduardo.
Metodologia
Para compreender as experiências dos profissionais com capacitações em IA, nas últimas semanas foram entrevistados 500 brasileiros adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade é de 95%, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais.
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