Sinop, 23/01/2026 19:29

  • Home
  • Super Fato MT
  • “Não bastava matar, era preciso fazê-la sofrer”, promotora pede condenação

“Não bastava matar, era preciso fazê-la sofrer”, promotora pede condenação

Teve início a réplica do Ministério Público no Tribunal do Júri do assassinato da produtora rural Raquel Maziero Cattani, conduzida pela promotora Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. Em fala marcada por emoção, a promotora afirmou ter o “prazer de ser a voz de Raquel” e reforçou que o conjunto probatório demonstra a premeditação do homicídio, a crueldade do ataque e a responsabilidade penal dos réus, ex-marido e ex-cunhado da vítima.

Durante a réplica, a promotora destacou: “O quebra-cabeça está perfeito e montado. A única peça que falta é a justiça — e a justiça vem com a condenação dos feminicidas”. Segundo ela, o homicídio foi planejado, com a reaproximação entre os irmãos após anos sem contato, e executado de forma extremamente cruel. Raquel sofreu cerca de 40 ferimentos e lutou para se defender, morrendo após intenso sofrimento físico e psicológico.

– FIQUE ATUALIZADO: Siga nossas redes sociais e receba informações em tempo real (WhatsAppTelegram e Instagram)

Andreia Monte Alegre também chamou atenção para o impacto permanente deixado na família: “Há o sofrimento de quem se foi e de quem teve a vida arrancada. Raquel foi morta pelo ex-marido e pelo ex-cunhado. Eles mataram. Foi planejado.” A promotora ressaltou a dor dos pais e o luto dos filhos, destacando que a saudade e as marcas do crime se aprofundam a cada dia, reforçando o pedido de condenação como resposta do Estado à violência sofrida.

O Ministério Público detalhou ponto a ponto as qualificadoras imputadas aos réus. Segundo a promotora, o crime foi motivado por ciúmes, sentimento de posse e inconformismo com a separação — elementos que, na visão da acusação, caracterizam o feminicídio. Ela explicou: “Romero tinha comportamento possessivo e controlador. Fiscalizava o celular da vítima, interferia em suas roupas, limitava sua liberdade, ridicularizava problemas de saúde e não aceitava o sucesso profissional e a autonomia de Raquel.”

A promotora ainda reforçou a qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima, destacando que houve planejamento e divisão de tarefas entre os réus. “Rodrigo entrou na residência pela janela, aguardou a vítima no interior do imóvel e executou o ataque, em contexto previamente combinado”.

Sobre o meio cruel, Andreia disse: “Não bastava matar, era preciso fazê-la sofrer”. Segundo ela, os 40 ferimentos e as escoriações espalhadas pelo corpo da vítima evidenciam a brutalidade da ação e o intenso sofrimento enfrentado por Raquel.

A promotora reforçou que a violência não se restringe à vítima: “O crime deixou marcas permanentes na família. O sofrimento não tem fim, mas a justiça pode dar algum alívio à dor da mãe, do pai e dos filhos de Raquel.”

Encerrando a réplica, a promotora reforçou a dimensão social do caso: “Quatro mulheres são mortas por dia no Brasil. Chega. Não podemos aceitar esse tipo de crime.” Ela destacou que, embora a condenação não traga Raquel de volta, representa o reconhecimento da verdade, responsabiliza os culpados e permite à família começar a virar a página.

Após a fala da promotora, o promotor João Marcos de Paula Alves retomou a palavra para explicar os quesitos que seriam submetidos ao Conselho de Sentença — momento em que os jurados analisam de forma objetiva a materialidade, autoria e qualificadoras do crime. Ele enfatizou: “O jurado não precisa fundamentar o voto, mas deve considerar todas as provas constantes dos autos. Nenhum elemento aponta para absolvição dos acusados. É o último momento da acusação antes da votação e o Conselho de Sentença deve decidir com atenção e fidelidade ao conjunto probatório”.

Estadão Mato Grosso acompanha o julgamento in loco, e para acompanhar em tempo real as atualizações, clique aqui. 

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Cult of the Lamb e mais jogos para Switch com até 90% OFF na eShop

Já é sexta-feira, o que significa que chegamos a mais um final de semana neste…

Servidora da educação morre engasgada dentro de casa em Cuiabá

Reprodução Maria Aparecida André morreu engasgada na tarde desta quinta-feira (22 de janeiro), dentro de…

Almada descarta transferência e frustra clube brasileiro; entenda

Durante entrevista para a AFA Estudio, no YouTube, o jogador declarou que seguirá no Atlético…