© Prefeitura de Campo Grande/Divulgação
O aumento da oferta de milho no mercado mundial tem pressionado os preços do cereal na Bolsa de Chicago, referência global para a commodity. De acordo com relatório de mercado do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a cotação do milho caiu 5,3%, fechando a semana com média de US$ 4,22 por bushel.
O instituto utilizou dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre oferta e demanda do cereal, que apontam uma produção global próxima de 1,78 bilhão de toneladas. Os Estados Unidos devem liderar a produção, com 432,34 milhões de toneladas, seguidos pela China, com 301,24 milhões de toneladas.
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Já a demanda mundial está estimada em 1,49 bilhão de toneladas, o que resulta em um estoque final projetado de 290,9 milhões de toneladas. “Diante da perspectiva de uma oferta mundial mais robusta, o preço do milho na CME Group, para o contrato corrente, exibiu queda semanal de 5,30%, fechando, em média, a US$ 4,22 por bushel”, destaca o relatório.
Terceiro maior produtor de milho do mundo, o Brasil enfrenta um cenário de alta nos custos de produção e cotações deprimidas. Esse contexto fez o cereal perder espaço para outras culturas, como o gergelim e o sorgo. Na última safra, porém, o milho recuperou área, impulsionado por uma melhora nas cotações no período de planejamento do plantio.
Ainda conforme o Imea, a cotação do milho chegou à casa dos R$ 30 em março de 2024, mas, no final daquele ano, voltou para cerca de R$ 60, o que incentivou os produtores a ampliarem a área destinada ao cereal. Em março de 2025, o preço avançou para cerca de R$ 70, mas voltou a recuar posteriormente, acendendo um alerta no campo. Atualmente, o milho disponível é cotado em torno de R$ 47.
Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve produzir 138,8 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, uma redução de 1,5%. Mato Grosso, maior produtor do país, deve colher 54,1 milhões de toneladas, queda de 2,4% em relação à safra 2024/25.
Enquanto as cotações recuam em Chicago, produtores mato-grossenses avançam com a colheita da soja e iniciam o plantio do milho na mesma área. Segundo o Imea, até a última sexta-feira (16), 6,7% da soja havia sido colhida e o plantio do milho alcançava 2,8% da área prevista.
Quem não travou custos terá margens apertadas, diz produtor
O produtor rural Alberto Chiapinotto, delegado da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), alerta que os produtores estão “na mão” do mercado de commodities, marcado por forte especulação de preços. Segundo ele, a área destinada ao milho em sua propriedade será mantida na safra 2025/26, com todos os insumos já adquiridos e os preços travados.
Chiapinotto acredita ainda que, até meados de 2026, quando o milho começa a ser colhido, os preços possam apresentar recuperação.
“Quem for começar a travar custo de produção de milho agora vai ficar com a margem bem achatada. Nós vamos continuar com a mesma área, tudo comprado, tudo travado, e agora é produzir. Mas é preocupante, porque estamos na mão da especulação do mercado. O produtor precisa ficar atento e, quando tiver uma relação de troca favorável, ir vendendo”, afirmou ao Estadão Mato Grosso.
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