Sinop, 25/01/2026 19:19

Você viu? EUA abrem investigação das relações entre a China e o agro brasileiro

Foto: Divulgação The White House

A intensificação das tensões comerciais envolvendo Estados Unidos, União Europeia e China tem ampliado o nível de incerteza no comércio internacional e pode trazer riscos relevantes ao agronegócio brasileiro. Essa foi uma das notícias mais lidas do Canal Rural na última semana.

A avaliação é do professor da Unesp e pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos, Marcos Cordeiro Pires.

Segundo o especialista, a postura do presidente norte-americano Donald Trump, marcada por ameaças tarifárias frequentes e disputas geopolíticas, contribui para a desorganização do comércio global.

Um dos focos recentes é a insistência do governo dos EUA em negociar a compra da Groenlândia, território ligado à Dinamarca e considerado estratégico por concentrar minerais críticos para a transição energética, além de petróleo, gás e posição geopolítica no Ártico.

A movimentação provocou reação de países europeus, que já sinalizaram a possibilidade de retaliações comerciais. Entre as medidas em discussão está a imposição de tarifas sobre até 93 bilhões de euros em produtos americanos.

Ninguém ganha com guerra comercial

De acordo com Pires, mesmo que o Brasil pudesse, em um primeiro momento, ocupar algum espaço deixado por produtos norte-americanos no mercado europeu, o cenário geral é negativo.

“Em um ambiente de completa desorganização do comércio internacional, ninguém sai ganhando. A instabilidade reduz a demanda, aumenta a incerteza e prejudica todos os agentes econômicos”, afirmou.

O pesquisador destacou que o uso recorrente de tarifas como instrumento de pressão cria volatilidade e dificulta o planejamento de médio e longo prazo, inclusive em acordos recentemente celebrados, como o tratado entre Mercosul e União Europeia.

“A pergunta é: em que ambiente econômico, político e geopolítico estaremos daqui a dois, três ou quatro anos, quando algumas dessas tarifas forem zeradas? Essa instabilidade é muito ruim para todos”, avaliou.

Investigação sobre relação Brasil–China acende alerta

Outro ponto de atenção, segundo o especialista, é a aprovação, pelo Parlamento norte-americano, de uma lei que determina a investigação das relações entre a China e o agronegócio brasileiro. Para Pires, a medida representa um sinal de alerta vermelho para o Brasil.

“Os Estados Unidos estão buscando argumentos para exercer pressão política no futuro e restringir as opções do Brasil no mercado chinês”, explicou.

Ele citou como exemplo possíveis barreiras à atuação de empresas chinesas no comércio de grãos ou restrições ao etanol brasileiro caso haja maior participação de capital chinês no setor sucroenergético.

Competitividade brasileira no centro da disputa

Na avaliação do pesquisador, por trás da retórica geopolítica há uma preocupação essencialmente comercial. “A produtividade do agronegócio brasileiro, em muitos aspectos, já supera a produtividade norte-americana. Isso coloca o Brasil no centro das atenções”, afirmou.

Segundo Pires, o cenário reforça a necessidade de cautela, diversificação de mercados e atenção redobrada às mudanças no tabuleiro internacional, em um momento em que decisões políticas têm impacto direto sobre o comércio agrícola global.

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