Alvo de investigações do regime chinês, o general Zhang Youxia, de 75 anos, é acusado de vazar informações sobre o programa de armas nucleares da China para os Estados Unidos. Também há desconfianças de que o membro do alto escalão militar aceitava suborno por atos oficiais, afirma o jornal The Wall Street Journal. A promoção de um oficial a ministro da Defesa estaria entre as ações realizadas sob influência externa.
De acordo com o jornal americano, as novas informações foram passadas por pessoas que tiveram acesso a uma reunião realizada na manhã de sábado (24) com a presença de alguns dos oficiais da mais alta patente das Forças Armadas chinesas.
O encontro teria acontecido pouco tempo antes de o Ministério da Defesa Nacional da China anunciar a abertura uma investigação contra o general mais graduado entre os dois vice-presidentes da Comissão Militar Central (CMC), Zhang Youxia, e presidente do Estado-Maior Conjunto da CMC, Liu Zhenli, de 61 anos.
Fontes ouvidas pelo WSJ afirmam que o general está sendo investigado por formar facções políticas – ou seja, construir redes de influência que minam a unidade do partido – e abusar de sua autoridade dentro do principal órgão de decisão militar do Partido Comunista.
A acusação mais séria, porém, é a de que ele teria vazado dados técnicos essenciais sobre as armas nucleares da China para os EUA. Evidências disso vieram de Gu Jun, ex-gerente geral da China National Nuclear, empresa estatal que supervisiona os programas nucleares civis e militares do país. Ele também é alvo de investigação, sob suspeita de violação da disciplina partidária e das leis estatais.
O general Youxia era considerado o aliado militar mais confiável do líder chinês Xi Jinping. O anúncio de investigações contra ele foi feito com poucos detalhes, além da alegação de “graves violações disciplinares”, expressão geralmente usada pelo regime como um eufemismo para corrupção.
As investigações também devem ter como alvo a agência responsável pela pesquisa, o desenvolvimento e a aquisição de equipamentos militares. Há suspeitas de que Zhang teria aceitado grandes somas de dinheiro em troca de promoções de oficiais.
Ainda durante a reunião de sábado, o general foi acusado de ajudar na promoção do ex-ministro da Defesa Li Shangfu em troca de subornos. Li foi derrubado em 2023, quando foi removido do cargo de ministro. O partido o expulsou no ano seguinte por corrupção.
A Comissão Militar Central é o órgão supremo de comando militar do aparato estatal chinês, responsável pelo controle do Partido Comunista sobre as Forças Armadas e pela coordenação da defesa nacional.
O líder chinês Xi Jinping formou uma força-tarefa para realizar uma investigação aprofundada sobre o mandato de Zhang como comandante da Região Militar de Shenyang de 2007 a 2012.
Autoridades apreenderam dispositivos móveis de oficiais que tiveram a patente elevada com Zhang e o general Liu Zhenli, chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto – o outro alvo da investigação anunciada no sábado.
“Essa medida é sem precedentes na história das Forças Armadas chinesas e representa a total aniquilação do alto comando”, afirmou Christopher Johnson, um ex-analista da agência americana de inteligência, ao jornal The New York Times.
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