Pela primeira vez desde que Jair Bolsonaro passou a cumprir pena em regime prisional, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reúne com o ex-presidente nesta quinta-feira (29), em um encontro que vai além do gesto pessoal e ocorre em meio às tensões e disputas internas do campo conservador de olho nas eleições de 2026.
A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e está prevista para ocorrer entre 11h e 13h, seguindo as normas da unidade onde Bolsonaro está detido: o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. Desde a condenação com trânsito em julgado, este será o primeiro encontro presencial entre os dois aliados políticos.
Até então, o último contato havia ocorrido em agosto do ano passado, quando Bolsonaro ainda cumpria prisão domiciliar. Desde então, o cenário jurídico e político mudou, com o ex-presidente passando a cumprir pena em unidade militar. Uma primeira tentativa de visita, marcada para o dia 22, acabou cancelada por compromissos de agenda do governador paulista, em meio a ruídos na relação entre Tarcísio e integrantes da família Bolsonaro.
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Em nova decisão, Moraes autorizou a visita nesta quinta e também agendou encontros de Bolsonaro com outras lideranças do campo conservador, como o ex-ministro Jorge Antônio de Oliveira Francisco e o senador Rogério Marinho (PL-RN), reforçando a movimentação política em torno do ex-presidente mesmo durante o cumprimento da pena.
O encontro ocorre em um momento delicado para a direita, que tenta reorganizar suas forças para a disputa presidencial de 2026. A decisão de Bolsonaro de indicar o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu nome para a sucessão frustrou aliados que viam em Tarcísio um candidato com maior potencial eleitoral para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As indefinições e os sinais contraditórios emitidos pelo governador paulista ao longo dos últimos meses alimentaram desgastes com o núcleo bolsonarista e com a cúpula do PL. Na tentativa de conter a crise, Tarcísio reafirmou publicamente que disputará a reeleição em São Paulo e fez questão de declarar fidelidade política ao ex-presidente.
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Em manifestação recente, o governador foi direto ao endossar a escolha feita por Bolsonaro. “Sempre falei do meu carinho e da minha lealdade ao presidente Bolsonaro. Dizia que meu candidato seria ele ou quem ele indicasse. Ele indicou o Flávio, então esse é o meu nome”, afirmou.
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