A American Express e a Sefer Investimentos são os principais credores do Grupo Fictor, que fez proposta para comprar o Banco Master e entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo no último domingo (1). A empresa deve à Amex R$ 893,2 milhões, quase um quarto da dívida declarada de R$ 4,2 bilhões, e R$ 430 milhões à Sefer, um dos alvos na Operação Compliance Zero.
Outros investigados pela Polícia Federal (PF) também aparecem na lista, a qual o Valor obteve acesso. A dívida com a American Express, segundo a petição inicial, decorre, em parte, do cartão empresarial lançado pela FictorPay, fintech do Grupo Fictor, com a bandeira. A operação chegou a transacionar mais de R$ 200 milhões por mês, de acordo com o documento.
O mesmo cartão também é citado em um processo judicial movido pela Orbitall, responsável pelo processamento dos cartões da FictorPay, que acusa a empresa de não manter a garantia financeira prevista em contrato. Em decorrência dessa ação, a Justiça de São Paulo determinou, na última semana, o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos financeiros da Fictor.
Sobre a Sefer, segunda da lista, a petição não traz informações que descrevam qual a relação contratual, comercial ou financeira com a Fictor. A Sefer foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas ao Banco Master, assim como seu ex-diretor Benjamim Botelho de Almeida. O passivo fiscal, não submetido ao processo, é de R$ 2,3 milhões.
A dívida com micro pequenas e empresas de pequeno porte é de R$ 65 milhões e o passivo trabalhista é de R$ 43 mil, com dois escritórios de advocacia. Ao todo, são mais de 1.300 credores. A empresa é representada pelo escritório de advocacia Deneszczuk Antonio e Amaral Sociedade de Advogados (DASA) e o caso está com o juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.
Em terceiro lugar na lista, composta sobretudo por créditos quirografários (sem garantia), aparece o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini, ex-sócio da Fictor, cuja exposição é de R$ 34,4 milhões. Na sequência, Augusto Jorge Cury, com R$ 31,5 milhões e Alarcon Select, com R$ 16,45 milhões. Na lista de credores, em sexto e décimo lugar, ainda constam dois Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) chamados Kadesh, cuja gestora é a North Sea, que somam R$ 25 milhões.
Segundo dados da Receita Federal, a North Sea tem como sócio Cesar Reginato Ligeiro, alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. Juliana Mello Esteves Pereira e Rodrigo Luiz Camargo Ribeiro, também alvos da segunda fase da Compliance Zero, já integraram a gestora como administradora e sócio, respectivamente. Ambos, porém, deixaram a empresa, ela em junho de 2023 e ele em dezembro de 2021, de acordo com informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
O Palmeiras também é citado na lista de credores, com crédito de R$ 2,6 milhões. No pedido de recuperação, a empresa diz que firmou um contrato de patrocínio com o clube em março do ano passado com duração de três anos.
O Grupo Fictor justifica o pedido de recuperação judicial com a associação feita ao Banco Master, que gerou prejuízos à sua reputação. A partir de novembro de 2025, diz que “seu ambiente de negócios sofreu alterações significativas, refletidas tanto na percepção de mercado quanto em aspectos operacionais e financeiros da companhia, passando a enfrentar um acelerado processo de desgaste reputacional”.
Segundo a companhia, parceiros, fornecedores, clientes e sócios da Fictor e subsidiárias “passaram a adotar uma postura mais cautelosa” e começaram a pedir a retirada nos contratos de Sociedade em Conta de Participação (SCP), principal forma de financiamento da empresa. De acordo com ela, até 17 de novembro do ano passado, recebeu R$ 3 bilhões em aportes dos sócios, mas, depois de duas semanas, esse montante foi reduzido em 71,38%.
Veja lista dos 10 principais credores do Fictor:
- 1) American Express Brasil Assessoria Empresarial Ltda. – R$ 893.195.066,36
- 2) Sefer Investimentos DTVM Ltda. – R$ 430.000.000,00
- 3) Luiz Phillipee Gomes Rubini – R$ 34.435.554,24 4)
- Augusto Jorge Cury – R$ 31.500.000,00
- 5) Alarcon Select – R$ 16.450.000,00
- 6) Kadesh 1º Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – R$ 15.000.000,00
- 7) Thaís Seixas Cardoso – R$ 13.500.000,00
- 8) Gabriel da Silva Almeida – R$ 11.000.000,00
- 9) Luis Marcelo Carvalho de Oliveira – R$ 10.940.000,00
- 10) Kadesh 2º Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – R$ 10.000.000,00
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