Sinop, 04/02/2026 03:22

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Delegada Jannira Laranjeiras denuncia intimidações após elogiar prisão de investigador acusado de estupro em Sorriso

Uma denúncia grave envolvendo intimidação institucional veio a público após a prisão de um investigador da Polícia Civil acusado de estupro dentro da delegacia de Sorriso. O caso foi publicado inicialmente pelo site da capital FolhaMax, que divulgou o relato feito pela delegada Jannira Laranjeiras nas redes sociais.

Segundo a delegada, ela passou a receber mensagens intimidatórias após parabenizar publicamente a atuação da Polícia Civil pela prisão do investigador identificado apenas pelas iniciais M. B. S., de 52 anos. O servidor é acusado de estuprar uma mulher que estava detida na delegacia de Sorriso, crime que teria ocorrido dentro da própria unidade policial.

O investigador foi preso no domingo (1º) por determinação da Justiça, após diligências conduzidas pela própria Polícia Civil. Um exame de DNA apontou que o material genético encontrado na vítima pertence ao servidor, que é lotado na delegacia de Sorriso e recebe salário de aproximadamente R$ 21,9 mil. Mesmo diante do laudo pericial, o policial nega ter cometido o abuso.

De acordo com a apuração, a denúncia foi formalizada e resultou na instauração imediata de inquérito policial para apuração dos fatos. As investigações indicam que a violência sexual teria ocorrido nas dependências da delegacia, o que provocou forte repercussão e indignação.

Após a prisão, Jannira Laranjeiras publicou uma mensagem elogiando a postura institucional da Polícia Civil de Sorriso, destacando a importância da investigação técnica e da responsabilização criminal, inclusive quando o suspeito integra os quadros da própria corporação. No entanto, no dia seguinte, ela voltou às redes sociais para informar que passou a receber mensagens com tom intimidador.

Segundo a delegada, os autores das mensagens seriam policiais de Sorriso. Em um dos prints divulgados, uma das pessoas afirma que a forma como ela se manifestou em defesa da investigação teria sido “desprezível”. Jannira rebateu e afirmou que as mensagens tentam desqualificar sua atuação profissional.

“Recebi mensagens privadas de intimidação. Mensagens tentando transformar o meu posicionamento como mulher e como especialista no enfrentamento à violência contra a mulher em ataques pessoais. Mensagens tentando me constranger por defender a investigação técnica e a responsabilização criminal. Eu não ataquei ninguém. Não desrespeitei colega algum”, declarou a delegada, ressaltando que não irá expor os nomes dos autores das mensagens.

O caso amplia o debate sobre violência contra a mulher, responsabilização de agentes públicos e possíveis tentativas de pressão interna, reforçando a importância da autonomia das investigações policiais, mesmo quando envolvem membros das forças de segurança. A Polícia Civil segue acompanhando o caso, que permanece sob apuração.

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