O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que, antes da posse do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a situação envolvendo o Banco Master era “opaca” e ninguém sabia exatamente o que ocorria.
Segundo Haddad, após ele próprio tomar conhecimento do caso no ano passado, já com Galípolo no comando do BC, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre foi a de que, havendo indícios de crime, o episódio deveria ser levado às autoridades competentes.
“Quando as coisas começaram a vir à tona, a gravidade vir à tona, o tamanho do problema vir à tona, o presidente foi informado, porque a escala do problema não era um ‘banquinho’ com pouco dinheiro, era uma coisa relevante. E a orientação do presidente para todos os interlocutores foi de que ‘leve as informações para as autoridades competentes e façam o melhor trabalho técnico possível para que este assunto chegue ao fim”, afirmou em entrevista à Rádio Band.
Haddad disse que nunca conversou com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto sobre o caso Master e que só passou a ver o tema como preocupante em 2024, quando o Congresso começou a discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do BC – quando, neste contexto, surgiram propostas de elevar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já que, segundo o ministro, o limite vigente não permitia sustentar a “bicicleta do Master”.
Em 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou uma emenda para elevar a proteção oferecida aos depositantes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
“Aquilo (ampliar o limite do FGC) me chamou atenção, isso não era normal. E colocamos o radar ligado na Fazenda, porque uma quebra de banco pode ter implicações tributárias severas (…) Tem implicações para fundos de pensão que compraram papel do Master. Tem implicação para várias coisas”, afirmou o ministro.
A Fazenda, no entanto, só tomou conhecimento, de fato, do problema no ano passado, com o trabalho “profissional” e “diligente” da atual diretoria do BC, disse Haddad.
O ministro elogiou o Banco Central, que, segundo ele, já vem entregando um bom trabalho na área regulatória. Haddad afirmou ainda esperar que as investigações sobre o caso Master levem aos responsáveis e voltou a classificar o episódio como a maior fraude bancária da história do Brasil.
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