A final da Supercopa Rei entre Flamengo e Corinthians trouxe à tona um debate que vai muito além das quatro linhas e do placar final. Embora a CBF tenha vindo a público, munida do Livro de Regras 2025/26, para justificar as intervenções da arbitragem comandada por Rafael Klein, o que vimos em campo acende um alerta amarelo sobre a condução do nosso futebol: estamos priorizando o protocolo em detrimento do jogo?
A expulsão de Jorge Carrascal, fundamentada na regra de “conduta violenta”, é um exemplo claro desse dilema. Segundo a nota oficial da entidade, a checagem foi concluída apenas quando os atletas já estavam no vestiário. O resultado? Um intervalo de 21 minutos e uma mudança drástica no cenário técnico para a etapa final.
Embora o protocolo FIFA autorize a revisão de condutas violentas mesmo após o reinício (ou interrupção) do jogo, a morosidade do processo fere a dinâmica do espetáculo. O futebol é um esporte de ritmo; quando a tecnologia exige pausas excessivas, ela deixa de ser uma ferramenta de apoio para se tornar a protagonista (muitas vezes indesejada) da partida.
O ponto mais sensível, entretanto, foi a revelação de que o sistema de VAR operou de forma intermitente no segundo tempo devido a uma queda de energia. Entre os 15 e 34 minutos da etapa final, o jogo transcorreu “à moda antiga”.
Aqui reside a maior preocupação para clubes e torcedores, a inconsistência técnica. Como garantir a isonomia competitiva se o suporte tecnológico, que foi rigoroso a ponto de estender o intervalo, desaparece em momentos cruciais do segundo tempo por falhas de infraestrutura? A “omissão” forçada pela falta de energia é um risco que um torneio desse porte não deveria correr.
Um Alerta Necessário
O objetivo desta análise não é descredibilizar instituições ou profissionais, mas sim provocar uma reflexão sobre a interferência. O futebol brasileiro tem sido frequentemente definido por decisões de gabinete e revisões de vídeo que ignoram a fluidez do esporte.
As interpretações sugeridas pelo VAR, muitas vezes desnecessárias em lances de interpretação subjetiva, e a falha em momentos de necessidade real, criam um ambiente de incerteza. É preciso que a Comissão de Arbitragem entenda que a regra existe para servir ao jogo, e não o contrário.
O futebol precisa de ordem, mas, acima de tudo, precisa de fluidez. Que o episódio da Supercopa sirva de lição para que, nas próximas competições, o brilho dos atletas não seja ofuscado pelo tempo de espera nas telas.
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