Sinop, 04/02/2026 01:05

  • Home
  • Negócios e Finanças
  • MP pede expulsão de Bolsonaro e militares condenados por tentativa de golpe das Forças Armadas | Política

MP pede expulsão de Bolsonaro e militares condenados por tentativa de golpe das Forças Armadas | Política

O Ministério Público pediu nesta terça-feira (3) ao Superior Tribunal Militar (STM) que o ex-presidente Jair Bolsonaro e os demais militares condenados na trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas. As solicitações são assinadas pelo procurador-geral da Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli.

  • Do Exército à prisão: a trajetória de Jair Bolsonaro

O pedido é feito por meio da chamada representação de indignidade e incompatibilidade para com o oficialato, medida aplicável a militares condenados a mais de dois anos com pena transitada em julgado (quando não cabem mais recursos).

Além de Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, esse é o caso dos generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante Almir Garnier. Todos foram condenados a penas superiores a dois anos na ação da trama golpista, que foi julgada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

O Valor teve acesso às representações. No pedido para que Bolsonaro seja considerado indigno, o procurador-geral da Justiça Militar diz que a representação é marcada pelo “ineditismo”, uma vez que não há precedente no STM de exclusão por crimes como tentativa de golpe e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A peça narra minuciosamente a atuação do ex-presidente, desde a utilização, com fins golpistas, de estruturas do Estado, como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), até o 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por bolsonaristas.

Segundo o pedido, Bolsonaro não “teve pudor para, valendo-se da estrutura do Estado, inclusive armadas, voltar-se, ao menos por um ano e meio, e através de grave ameaça e violência, contra o funcionamento regular dos poderes constitucionais e contra o governo democraticamente eleito”.

O chefe do MP militar também cita sucessivas “transgressões disciplinares” na carreira de Bolsonaro, quando ele ainda era militar da ativa. “Sem muito esforço, nota-se o descaso do ora representado para com os preceitos éticos mais básicos”, diz.

Entre os preceitos éticos violados, cita o dever de “proceder de maneira ilibada na vida pública”; o respeito à dignidade da pessoa humana; o cumprimento das leis; o zelo pelo preparo “moral”; e a discrição “em suas atitudes, maneiras e em sua linguagem escrita e falada”. No último caso, ele cita como exemplo declarações contra o Judiciário, e “ameaças e discursos de ódio” contra autoridades.

“Pelo exposto, em razão da prática das condutas acima destacadas e em razão da condenação criminal imposta pelo Supremo Tribunal Federal, na contramão do que se espera de um oficial das Forças Armadas, o Ministério Público Militar representa a esse colendo Tribunal para que declare o capitão reformado do Exército Jair Messias Bolsonaro indigno para o oficialato”, conclui o texto.

No caso de Braga Netto, o chefe do MP Militar diz que o general teve papel de destaque na trama golpista, violou princípios da disciplina, do respeito e do decoro militar e deixou de zelar “pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes”.

“São incontroversas a gravidade dos delitos cometidos e a violação dos preceitos éticos militares que os representados outrora juravam voluntariamente respeitar perante a Bandeira do Brasil, em intensidade que aponta para a declaração de indignidade e a consequente perda do posto e da patente que ostentam e da qual fizeram uso”, diz.

Se considerada procedente, a representação leva à demissão “sem direito a qualquer remuneração ou indenização”. Se o militar tiver esposa ou filhos de até 24 anos e estudando, é concedida pensão ao familiar.

A representação é, ironicamente, prevista no artigo 142 da Constituição, dispositivo que era citado de forma equivocada por bolsonaristas em 2022 para defender o suposto “poder moderador” dos militares para intervir no Executivo, Judiciário e Legislativo. Uma parte do artigo prevê que oficiais com condenação transitada em julgado superior a dois anos devem ser alvo de uma representação de indignidade, para que percam o posto e a patente.

“Componente político”

Em geral, a representação tramita quase como formalidade: como a Constituição prevê a expulsão de oficiais condenados a mais de dois anos, o STM costuma considerar que há um critério objetivo — a pena superior a dois anos transitada em julgado — que, preenchido, deve levar à exclusão dos quadros das Forças Armadas. Para exemplificar, segundo levantamento publicado pelo Valor no ano passado, mais de 90% das representações apresentadas de 2021 a abril de 2025 levaram à expulsão.

O destino de militares condenados na trama golpista, no entanto, pode ser outro: o STM pode manter Heleno, Nogueira e Garnier nos quadros das Forças Armadas. Já a situação de Bolsonaro e Braga Netto é vista como mais delicada, segundo integrantes da corte consultados pelo Valor.

Ministros e interlocutores afirmam que há no caso um “componente político” que pesa a favor de alguns dos generais condenados na trama golpista. A avaliação é que a carreira dos militares aliados do ex-presidente não pode ser inteiramente “desconsiderada” por causa da condenação no STF.

Um dos magistrados afirmou que normalmente as representações tratam de crimes como estelionato, fraude em licitação, falsidade ideológica e crimes patrimoniais. Um pedido de exclusão das Forças contra condenados na trama golpista “certamente não é o mesmo que julgar oficial estelionatário”, defendeu.

Dos 15 integrantes do STM, dez são militares e só cinco são civis. Muitos dos militares foram colegas do grupo condenado por golpe. Heleno, segundo ministros, é um dos generais com maior reputação no Exército, o que pode refletir na análise da representação.

No STM, a tramitação costuma ser rápida. Ela é recebida e distribuída por sorteio ao relator, que mandará o oficial se manifestar dentro do prazo de dez dias. Se a defesa não for feita dentro do período, será designado um Defensor Público.

Depois, o relator elabora seu voto e o caso é colocado em pauta pela presidência da corte. Após o trânsito em julgado do julgamento do STM, o tribunal comunicará a decisão ao Comandante da Força Armada em que o acusado está vinculado.

Com isso, o oficial perde o posto e a patente. O “posto” é o lugar que o militar ocupa na hierarquia das Forças Armadas. No caso do Exército, por exemplo, as autoridades militares que têm posto são os tenentes, capitães, majores, coronéis e generais. Já a patente é o título que comprova a nomeação do militar para determinado posto na hierarquia.

São os militares com posto, da ativa, da reserva ou reformados, que são submetidos aos julgamentos que podem levar à demissão. No caso de militares com graduações mais baixas, a exclusão é imediata após a condenação superior a dois anos.

Se houver empate de 7 a 7 no STM, a presidente, ministra Maria Elizabeth Rocha, dá o voto de minerva, que obrigatoriamente deve ser a favor dos réus. Ou seja, contra a expulsão das Forças Armadas. Maria Elizabeth é uma das civis e a única magistrada da atual composição da corte.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Sony quer que personagens de IA apresentem podcasts no seu PlayStation

Sony quer que personagens de IA apresentem podcasts no seu PlayStation – Canaltech Canaltech –…

Força Tática prende homem em flagrante por esfaquear enteado no interior de MT

Reprodução Policiais militares da Força Tática do 8º Comando Regional prenderam um homem, por lesão…

Brigido é eliminado com porcentagem surpreendente no 3º paredão

A noite desta terça foi marcada pela eliminação surpreendente de Brigido no BBB 26, que…