Sinop, 24/02/2026 12:33

Liderança importa: diversidade em ambientes voláteis | Carreira

A mesma pesquisa apontou que, embora DE&I não ocupe mais o protagonismo na gestão de pessoas, continuam na pauta o desenvolvimento e a capacitação de lideranças, a contratação de profissionais com qualificação, o engajamento e o comprometimento de talentos, a redução de turnover e a saúde mental.

A questão que pode ser colocada aqui é: como é possível desenvolver lideranças, contratar e engajar profissionais talentosos, reduzir turnover e cuidar da saúde mental sem considerar a diversidade cognitiva, de gênero, de gerações, de culturas, de classe social, enfim, sem olhar para a heterogeneidade das pessoas seja como colaboradores ou consumidores num país com os contornos demográficos como o nosso?

Ser líder hoje implica necessariamente lidar com a complexidade da gestão de pessoas em ambientes voláteis e cenários geopolíticos mutantes. As questões de diversidade como gênero, raça, idade, classe social, entre outros marcadores sociais, fazem parte desse cenário e pedem respostas práticas pois impactam na gestão de riscos e na reputação de profissionais e empresas.

No cenário atual, o exercício da liderança está permeado por inúmeras contradições: as decisões de um CEO o colocam em posição de vulnerabilidade ao buscar atender os diferentes stakeholders do negócio. Como mostra uma pesquisa recente da McKinsey, ser líder hoje significa preservar o essencial do negócio ao mesmo tempo em que é necessário inovar para o futuro. No quesito inovação, pesquisas já mostraram que a diversidade tem um papel central na solução de problemas, ao trazer olhares diversos que o “mais do mesmo” não consegue resolver.

Colunista chama a atenção para o fato de que as questões relacionadas à diversidade pedem respostas práticas pois impactam na gestão de riscos e na reputação de profissionais e empresas — Foto: Unsplash

Outro aspecto destacado nesse artigo é que os CEOs precisam fazer a gestão de “estrelas individuais” e, ao mesmo tempo, manter o foco na maximização do desempenho do time. Aqui é impossível não mencionar a necessidade de desenvolver o convívio intergeracional, composição inevitável no contexto demográfico atual. Mas, para isso, é preciso vencer estereótipos sobre o comportamento de profissionais mais jovens e mais maduros. Essa é uma barreira que, embora esteja mais evidente hoje, ainda não foi resolvida pelas organizações.

Todos concordam que profissionais mais velhos contribuem para a entrega de resultados, mas poucas empresas têm políticas e práticas para a retenção dessa coorte geracional. Sem falar nas questões dos profissionais mais jovens também marcados por estigmas que desconsideram suas individualidades.

Preconceitos e estereótipos são ainda mais evidentes quando se trata das mulheres no mercado de trabalho. Agora a moda é falar de menopausa como se não existisse andropausa. Se, de um lado, tratar do tema pode beneficiar políticas para o período do climatério, de outro reforçam a máxima de que, no mercado de trabalho, a mulher nunca está na idade certa.

O retrocesso no tratamento das mulheres no mercado de trabalho não resolve questões sociais em um país onde mais de 50% das famílias são lideradas pelas mulheres. A falta de recursos financeiros tem um impacto inestimável na educação das crianças e no desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho, com consequências extremamente negativas para as empresas e para a sociedade.

O racismo (e preconceitos, de modo geral) afeta a saúde mental e a produtividade. O Brasil, tristemente, é campeão nos índices de adoecimento por depressão e ansiedade, e os próprios CEOs não estão isentos desse sofrimento; a solidão no exercício da liderança é bem conhecida. Nessa direção, a pesquisa da consultoria menciona outro dilema: CEOs precisam mergulhar completamente no papel e, ao mesmo tempo, manter sua identidade pessoal e o próprio senso de propósito. O que fazer quando as políticas do headquarter fora do país ou quando os conselhos contrariam seus valores? Qual é o limite para obedecer a hierarquia?

De um lado, os líderes sofrem pressão por inovação e performance de curto prazo e, por outro, retenção e engajamento de talentos no longo prazo. A liderança importa, e o líder é o exemplo concreto e em ação, que mantém uma cultura organizacional que entrega resultados sem destruir a saúde mental dos colaboradores. Ser líder não é uma tarefa fácil atualmente, e considerar todas as dimensões de diversidade pode ser um diferencial competitivo para desenhar novos caminhos.

Maria José Tonelli é doutora em psicologia social, professora titular na FGV–EAESP, e especialista em diversidade e desenvolvimento de lideranças.

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