O feminicídio de Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, na madrugada desta quarta-feira (25), colocou alerta para a violência de gênero em Três Lagoas. Terceira maior cidade de Mato Grosso do Sul, o município soma 28 feminicídios nos últimos dez anos, expondo o cenário vulnerável em uma das cidades que mais têm enfrentado crescimento populacional em MS.
Três Lagoas teve população estimada em 143.523 habitantes em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No Censo de 2022, eram 132.152 moradores. Em apenas três anos, o município ganhou mais de 11 mil novos habitantes, um aumento de aproximadamente 8,6%, impulsionado principalmente pela consolidação do polo industrial de celulose.
A cidade é hoje a 3ª mais populosa do Estado, atrás apenas de Campo Grande e Dourados.
Nesse mesmo período de expansão demográfica, os registros de feminicídio mantiveram números expressivos. Entre 2016 e 2026, foram contabilizados:
- 2016: 2
- 2017: 6
- 2018: 3
- 2019: 1
- 2020: 2
- 2021: 4
- 2022: 4
- 2023: 0
- 2024: 4
- 2025: 1
- 2026: 1 (até dia 26 de fevereiro)
O total chega a 28 casos na década. Em média, são quase três mulheres assassinadas por ano em razão do gênero no município. O crime contra Beatriz foi o quarto feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026. Ela será sepultada em Campo Grande em cerimônia no Cemitério Park Monte das Oliveiras.
As vítima de feminicídio em MS no ano de 2026 são:
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas
O crime contra Beatriz
Wellington Patrezi Batista Pereira, de 20 anos, confessou o assassinato da namorada, Beatriz Benevides da Silva, de 18. O crime ocorreu na madrugada desta quarta-feira (25), em Três Lagoas.
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“Ela queria terminar”, confessa homem que matou namorada enforcada
Segundo o delegado Gabriel Salles, responsável pela investigação, o casal namorava havia mais de um ano e chegou a manter relacionamento à distância. Wellington deixou Corumbá e se mudou para Três Lagoas. À polícia, afirmou que estava na cidade havia apenas 10 dias.
O suspeito relatou que Beatriz queria terminar o relacionamento e que as discussões eram frequentes. “Ela sempre colocava algum defeito em tudo o que eu fazia”, disse em depoimento.
Ele contou ainda que morou por um período na casa do pai da jovem e que, há três dias, os dois passaram a viver juntos no apartamento onde o crime ocorreu.
De acordo com o boletim de ocorrência, Beatriz foi encontrada morta no quarto do imóvel, com o corpo embaixo do colchão e sinais de esganadura no pescoço. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e confirmou o óbito.
Conforme a Polícia Militar, por volta das 2h30, o próprio Wellington se apresentou no quartel do 2º Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) e confessou ter cometido o crime.