Embora a guerra tarifária de Donald Trump, um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e os sinais de desaceleração da atividade econômica no Brasil e nos Estados Unidos sigam no radar dos participantes do mercado, os olhos e ouvidos dos investidores estarão voltados, nesta quarta-feira, a dois eventos: as decisões de política monetária do Federal Reserve, às 15h, e do Banco Central do Brasil, a partir das 18h30.
As decisões em si não devem surpreender ninguém. Nos EUA, é ampla a expectativa por uma nova manutenção das taxas de juros no intervalo de 4,25% a 4,50%, enquanto no Brasil o Comitê de Política Monetária (Copom) deve efetuar mais um aumento na Selic, de 1 ponto percentual, e levar a taxa a 14,25%, níveis não vistos desde outubro de 2016. No entanto, potenciais surpresas estão inseridas em dois fatores: a comunicação dos bancos centrais e a atualização das projeções econômicas, que podem revelar alguma pista sobre os passos futuros na condução dos juros.
É consensual a aposta em uma alta de 1 ponto entre 125 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor na última semana. Mas alguns pontos têm deixado os investidores intrigados, como as projeções do Copom. A expectativa é de que elas continuem a mostrar uma inflação acima da meta no horizonte relevante (3º trimestre de 2026), mas que apontem uma queda em relação a janeiro. A projeção passaria de 4,0% para algo entre 3,7% e 3,8%, nos cálculos de alguns economistas. Apesar do movimento, as estimativas ainda estariam bastante distantes da meta (3%), o que deve levar o mercado a observar com ainda mais atenção a forma como o BC caracteriza o cenário econômico.
A avaliação do Copom sobre a atividade econômica deve ser bastante observada, já que dados mais recentes apontaram para uma desaceleração mais intensa que o esperado pela mediana dos analistas, ao mesmo tempo em que a inflação continuou a mostrar sinais de persistência em níveis elevados.
Outro ponto de atenção será o “forward guidance” (prescrição futura). Em dezembro, o Copom elevou a Selic em 1 ponto e “contratou” duas novas altas de igual magnitude para janeiro e março. Agora, o mercado se debate sobre se haverá uma nova sinalização do colegiado em relação à decisão de maio ou se o Copom deixará os próximos passos em aberto para ganhar graus de liberdade em torno do que ocorrerá nos próximos 90 dias.
Enquanto a taxa de juros americana deve seguir no intervalo de 4,25% a 4,50%, há alguma atenção dos mercados às projeções do Fed para os indicadores econômicos. Os sinais recentes de desaquecimento da economia americana têm levado algumas instituições financeiras a uma revisão para baixo das projeções para o crescimento do primeiro trimestre nos EUA e, consequentemente, para o ano de 2025. Nesse contexto, as projeções do Fed para o crescimento, a taxa de desemprego e os dados de inflação devem ser observados com atenção pelos agentes.
Já em relação ao gráfico de pontos, que mostra a mediana das projeções dos dirigentes do Fed para a taxa de juros, há uma expectativa de que a quantidade de dois cortes de 0,25 ponto nas taxas se mantenha. Alguns investidores, porém, acreditam que o Fed pode indicar espaço para apenas mais uma redução de 0,25 ponto nos juros.
Após a decisão, o presidente do banco central americano, Jerome Powell, fará entrevista coletiva, onde o impacto das tarifas comercial de Donald Trump, da queda da confiança do consumidor e da alta das expectativas inflacionárias devem ser fatores abordados.
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