Os presidentes nacionais do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, disseram que vão trabalhar para enterrar no Congresso Nacional a proposta de fim da escala 6×1, que interessa ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois defenderam a rejeição do texto já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
- Governo avalia desistir de projeto próprio sobre fim da escala 6×1
- Fim da escala 6×1: Veja quais propostas estão em debate na Câmara
Os dirigentes criticaram o projeto durante evento nesta segunda-feira (23), argumentando que o fim dessa jornada vai prejudicar a economia e elevar a inflação. Juntos, PL e União somam 145 deputados. Valdemar e Rueda, no entanto, concordaram que é difícil para congressistas que vão buscar a reeleição votarem contra a medida, por causa do apelo popular da iniciativa.
“Vamos trabalhar para não deixarmos votar. Vamos trabalhar para isso, dar a vida para isso”, disse o presidente do PL, durante evento promovido pelo grupo Esfera Brasil, na capital paulista, com a presença de empresários e representantes de setores econômicos. Parte dos presentes aplaudiu a fala de Valdemar.
Segundo o presidente do PL, a ideia é procurar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e “segurar isso aí na CCJ”.
Rueda disse que o esforço será “para a gente ir ‘barrigando’ isso aí” e “construir uma blindagem dentro da CCJ”, evitando que o tema chegue a plenário. Ele afirmou que a proposta “tem como finalidade colher resultado eleitoral” favorável ao governo, mas que a eventual mudança é “um assunto muito penoso” para o empresariado.
“Essa proposta é muito danosa para a economia e o setor produtivo. Ela é posta no ano eleitoral. A gente tem que ter inteligência e perspicácia para, dentro da política e do diálogo, tentar segurar essa proposta. É um desatino para a economia. Quem vai pagar essa conta é o consumidor, com a inflação”, disse o presidente do União Brasil.
Tramitam na Câmara duas propostas de emenda à Constituição que propõem a diminuição da jornada de trabalho, atualmente de no máximo 44 horas por semana, sem redução de salário. Representantes do setor produtivo afirmam que a mudança pode resultar na ampliação de gastos e cortes de vagas.
O governo Lula, que planejava enviar ao Legislativo uma proposta de própria autoria, agora avalia desistir da ideia, mas sem recuar de itens centrais da pauta, como a adoção da escala 5×2, com jornada de 40 horas semanais e sem redução de salário.