Sinop, 26/01/2026 18:55

Ação dos EUA na Venezuela pode afetar investimentos da China no Brasil, avalia especialista

A captura de Nicolás Maduro e a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela elevaram o nível de alerta na América Latina e reacenderam o debate sobre os limites do direito internacional, os interesses geopolíticos e os efeitos econômicos do movimento liderado por Donald Trump. O presidente norte-americano afirmou que os EUA pretendem assumir o controle das reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo.

Para analisar os desdobramentos políticos e econômicos da ação, o Canal Rural ouviu o professor Marcos Vinícius de Freitas, especialista em relações internacionais, e o comentarista Miguel Daoud.

Direito internacional condena a ação, diz especialista

Do ponto de vista jurídico e diplomático, Marcos Vinícius de Freitas afirma que a intervenção norte-americana fere princípios básicos do direito internacional. Segundo ele, a retirada forçada de um chefe de Estado configura interferência direta em assuntos internos de outro país.

“O direito internacional é muito claro ao condenar esse tipo de ação. Desde 1945, a Carta das Nações Unidas estabelece que o uso da força só é permitido em legítima defesa ou com autorização do Conselho de Segurança”, explicou. Para o professor, é difícil não classificar o episódio como um ato de guerra.

Freitas ressaltou que a crítica à ação não significa apoio ao governo Maduro. “Não se trata de concordar com os erros e problemas causados por Maduro ou Chávez, mas de reconhecer que existem regras que organizam as relações entre os Estados”, afirmou.

Comunidade internacional dividida

Na avaliação do especialista, a reação global ao episódio pode ser dividida em quatro grupos. Há países que apoiam abertamente os EUA por interesses econômicos ou militares, como Argentina e Israel. Um segundo grupo é formado por países “temerosos”, especialmente na Europa, que criticam a ação, mas evitam confronto direto por receio de perda de investimentos ou impactos em outros conflitos, como o da Ucrânia.

Há ainda os países “eloquentes”, que condenam publicamente a intervenção, mas têm pouca capacidade de alterar o cenário, como Brasil, Chile, México e Espanha. Por fim, existem os opositores, como Rússia e Irã, que rejeitam a ação, mas também enfrentam desgaste internacional por intervenções passadas.

Petróleo é fator central, avalia Miguel Daoud

Na análise econômica, Miguel Daoud destacou que o petróleo é um dos principais motores da decisão de Trump. “A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do planeta, e isso pesa muito”, afirmou.

Segundo o comentarista, a estatal venezuelana possui cerca de 35 mil poços de petróleo, mas apenas cerca de 5 mil estão em operação. “Com investimentos relativamente baixos, entre US$ 200 mil e US$ 500 mil por poço, é possível recuperar a produção rapidamente por meio de sistemas de injeção de água”, explicou. O petróleo venezuelano é pesado e tem grande uso na produção de diesel e asfalto, o que aumenta seu valor estratégico.

Daoud ponderou, no entanto, que a captura de Maduro não significa uma mudança real de regime. “Não houve uma transição democrática. O que existe é um acordo com o grupo que controla o petróleo no país para permitir a continuidade da exploração pelos Estados Unidos”, afirmou.

China, Rússia e efeitos no mercado global

Marcos Vinícius de Freitas também chamou atenção para os impactos geopolíticos mais amplos. Um deles envolve a China, que ao longo de décadas concedeu empréstimos à Venezuela, pagos com petróleo. A dívida, que já chegou a cerca de US$ 50 bilhões, hoje estaria em torno de US$ 15 bilhões.

Com o novo cenário, a China tende a buscar outros fornecedores. “O petróleo venezuelano é relevante, mas hoje há mais países produtores no mercado. Angola, países do Golfo e até a própria Rússia podem suprir essa demanda”, avaliou.

Outro ponto destacado é a possível redução das exportações russas de nafta, insumo necessário para diluir o petróleo pesado da Venezuela. Nesse caso, os EUA poderiam voltar a fornecer o produto, alterando fluxos comerciais globais.

Preocupações para o Brasil

Para o especialista em relações internacionais, o maior risco para o Brasil está no aumento da presença militar norte-americana na região e na tentativa de afastar países latino-americanos da China. “Isso pode prejudicar investimentos chineses no Brasil e afetar nossa soberania no longo prazo”, alertou.

Freitas concluiu que a situação gera apreensão entre os países vizinhos. “Ninguém gosta de ter como vizinho uma grande potência militar. Isso sempre gera temor e instabilidade”, afirmou.

O tema segue no radar da comunidade internacional e do mercado, diante dos possíveis impactos sobre o petróleo, a geopolítica regional e as relações comerciais globais.

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