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Anta-anã é confirmada em Alta Floresta e amplia área conhecida da espécie na Amazônia

Uma descoberta científica recente colocou Mato Grosso em destaque no cenário da biodiversidade amazônica. Um estudo publicado em setembro de 2025 na revista internacional Mammalia confirmou a ocorrência da anta-anã (Tapirus kabomani) no Parque Estadual do Cristalino, localizado no município de Alta Floresta, no norte do Estado.

Conhecida também como anta-pretinha, a espécie é considerada a menor entre as antas existentes no mundo e foi descrita oficialmente pela ciência apenas em 2013, sendo a primeira nova espécie do gênero Tapirus identificada desde 1865. Apesar do reconhecimento recente, sua presença já era mencionada há décadas por populações tradicionais e povos indígenas da Amazônia, que sempre distinguiram mais de um tipo de anta vivendo na floresta.

Monitoramento científico confirmou a espécie

O registro em Mato Grosso é resultado de ações de monitoramento de fauna terrestre realizadas desde 2014, inicialmente no município de Aripuanã e, posteriormente, em áreas do norte do Estado, incluindo o Parque Estadual do Cristalino. O trabalho envolveu o uso de armadilhas fotográficas instaladas em trilhas da floresta, equipamentos que permanecem longos períodos em campo e permitem o registro de espécies raras e de hábitos discretos.

As imagens obtidas em diferentes períodos confirmaram a presença da anta-anã a partir de características morfológicas específicas, como o porte reduzido, a coloração mais escura da pelagem, o crânio compacto e a juba menos evidente, elementos que a diferenciam da anta-brasileira (Tapirus terrestris). Também foram identificados vestígios como pegadas recentes, indicando a permanência do animal na área por vários dias.

Expansão significativa da área de ocorrência

Até então, a distribuição confirmada da anta-anã se restringia principalmente aos estados do Amazonas, Rondônia e Amapá. O novo registro em Alta Floresta ampliou em aproximadamente 899 quilômetros o limite conhecido da espécie, representando um aumento estimado de 35% em sua área de ocorrência documentada.

Para os pesquisadores, esse dado indica que a anta-anã pode estar mais amplamente distribuída no sul da Amazônia do que se imaginava, mas permanece pouco detectada devido ao comportamento solitário, à baixa densidade populacional e aos hábitos extremamente discretos.

Flagrada por câmera escondida na floresta, a anta-anã aparece em seu ambiente natural no norte de Mato Grosso. – Foto: Thiago Paiva

Espécie rara em área sob pressão ambiental

Embora ainda não tenha sido oficialmente avaliada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a Tapirus kabomani enfrenta ameaças semelhantes às de outras espécies de antas, como o desmatamento, a fragmentação florestal, a caça e os atropelamentos em rodovias.

O alerta é reforçado pelo fato de o Parque Estadual do Cristalino estar inserido no chamado Arco do Desmatamento, uma das regiões mais pressionadas pela expansão agropecuária na Amazônia. Mesmo em áreas protegidas, a perda de conectividade florestal e as pressões no entorno podem comprometer a sobrevivência de espécies raras e pouco conhecidas.

Integração entre ciência e saber tradicional

O estudo destaca a importância da integração entre ciência, tecnologia e conhecimento tradicional. Relatos históricos de povos indígenas e comunidades tradicionais foram fundamentais para orientar as pesquisas que agora confirmam, de forma científica, a presença da anta-anã em Mato Grosso.

O uso combinado de armadilhas fotográficas, caminhamentos em trilhas, análise de vestígios e, futuramente, técnicas como o DNA ambiental (eDNA), é apontado como essencial para revelar espécies consideradas “invisíveis” na floresta.

Um alerta sobre a biodiversidade amazônica

Mais do que um achado científico, a confirmação da anta-anã em Alta Floresta evidencia o quanto a Amazônia ainda guarda espécies pouco conhecidas, inclusive grandes mamíferos. Cada novo registro amplia o conhecimento sobre a fauna brasileira e reforça a necessidade de políticas públicas eficazes de conservação.

A presença da anta-anã no norte de Mato Grosso simboliza a riqueza biológica da região e serve como lembrete de que proteger a floresta é também preservar espécies que a ciência ainda está começando a compreender. Com informações Primeira Pagina

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