Depois da repercussão negativa dos áudios vazados em que prometia partir “com tudo” contra a imprensa, o vereador por Cuiabá, Demilson Nogueira (PP), resolveu pisar no freio. Em novo pronunciamento, adotou um discurso sereno, repetiu diversas vezes a palavra “tranquilidade” e afirmou que “não afrontou a ninguém”.
A mudança de tom chama atenção.
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No áudio que circulou nos bastidores, o discurso era de enfrentamento. Já na tribuna, o vereador falou em diálogo “olho no olho”, lamentou a existência de alguém que teria “traído o grupo” e garantiu que não vai “sair atirando”. Disse ainda que foi alvo de uma “saraivada de bala” — expressão forte para quem, dias antes, falava em contra-ataque.
A pergunta que fica é simples: o que mudou?
Se a conversa vazada era “desprovida de qualquer sentimento de agressividade”, como afirmou agora, por que a necessidade de anunciar reação dura contra veículos de comunicação? Se não houve afronta, por que o discurso inicial soou como ameaça?
A fala mais recente parece muito mais um movimento de contenção de danos do que um esclarecimento espontâneo. Quando a repercussão pega mal, o roteiro costuma ser o mesmo: nega-se o tom, relativiza-se a fala e transfere-se a culpa para quem vazou.
Demilson afirmou que quer tratar o assunto de forma presencial, com a Casa funcionando normalmente. Justo. O debate público deve mesmo ser feito às claras. Mas é importante lembrar que imprensa não é adversária política — é parte essencial da democracia.
Tentar enquadrar sites, intimidar veículo ou transformar crítica em “traição” de grupo não combina com mandato popular.
No fim das contas, o vereador diz que não afrontou ninguém. Já a sociedade ouviu outra coisa. E áudio, diferente de discurso posterior, não costuma ter interpretação criativa.