O ex-presidente Jair Bolsonaro finaliza uma lista com os pré-indicados para concorrer ao Senado pelo PL nos palanques estaduais e realiza conversas para definir os Estados nos quais ainda há indefinição. A ideia é que o número “222” esteja presente nas urnas em todos os Estados, em pelo menos uma das duas vagas em disputa ao Senado.
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Segundo o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), o acordo firmado é para que Bolsonaro indique os candidatos ao Senado, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, escolha os nomes ao governo, vices e deputados federais. O acordo prevê composições com outros partidos.
No caso das vagas ao Senado, a prioridade é que sejam candidatos do PL e de “extrema confiança” de Bolsonaro. O deputado Sanderson (PL-RS) foi um dos convocados a visitar o ex-presidente na “Papudinha”, transformado em uma espécie de “QG” da campanha, onde Bolsonaro monta o quebra-cabeça eleitoral. No sábado (20), ele e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foram chamados pelo ex-presidente para discutirem o cenário nos respectivos Estados.
“Fiquei duas horas lá. Conversamos sobre questões políticas relacionadas ao meu Estado, o Rio Grande do Sul, e também sobre outros Estados, já que eu estou aqui dentro da Câmara, no Congresso, e em condições de fazer essa leitura que lá ele não tem como fazer. Como ele confia em mim, pediu que eu passasse esse cenário”, disse Sanderson.
Segundo ele, o ex-presidente tem baseado suas decisões nas informações a que tem acesso. “Ele tem acesso aos advogados, aos filhos, sobretudo o Flávio e o Carlos Bolsonaro, que passam os cenários para ele. Também dona Michelle. Ele não tem acesso à rede social. Não tem acesso à imprensa. Ele tem uma TV aberta, que pega dois ou três canais. Assiste basicamente o jornal da noite das TVs abertas”, afirmou.
No sábado, após visitar o pai na prisão, Carlos Bolsonaro afirmou que o ex-presidente está “confeccionando, inicialmente, uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes”. Após a declaração, Valdemar afirmou em entrevista ao Poder360 que as indicações a governador cabem à direção do partido, mas que palpites de terceiros são “normais”.
O ruído, no entanto, foi minimizado por aliados bolsonaristas. “O acordo sempre foi esse. Bolsonaro indica Senado, Valdemar indica governadores e faz as composições. Nesta quarta-feira teremos uma reunião com [o coordenador da campanha] Rogério Marinho, e com Flávio Bolsonaro para tratar desses cenários nos estados”, disse Sóstenes.
Onde há definições e onde há dúvidas
De acordo com Sanderson, na visita de sábado, Bolsonaro bateu o martelo sobre as indicações ao Senado em três Estados: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. “No Rio Grande do Sul, ele falou que já tem dois nomes: o meu, pelo PL, e Marcel Van Hattem, pelo Novo. Em Santa Catarina, bateu o martelo pela Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. No DF, é Bia Kicis e Michelle”, afirmou o parlamentar.
Ele disse ainda que, segundo Bolsonaro, há muitos Estados em que o cenário ainda está em definição. “No Paraná, o nome é Filipe Barros (PL-PR), a segunda vaga ainda está em aberto. Em São Paulo, o nome praticamente certo é o do Guilherme Derrite (PP-SP), e a vaga do PL está em aberto. Era do Eduardo Bolsonaro, como ele saiu, ficou essa lacuna. No Rio de Janeiro, com a saída do Flávio Bolsonaro da disputa ao Senado, também ficou em aberto.”
De acordo com ele, Bolsonaro sinalizou que fechou acordo com os deputados José Medeiros (PL-MT) para uma das vagas ao Senado por Mato Grosso, com Alberto Neto (PL-AM) pelo Amazonas, Bruno Scheid (PL-RO) para uma das vagas em Rondônia e Rodrigo Valadares (PL-SE) para concorrer à Casa Alta em uma das vagas de Sergipe.
“Eu disse para ele que é fundamental manter o plano original de lançar apenas candidatos ao Senado da confiança dele. Não fazer concessões ao Centrão no Senado. Em cargos de deputado, governador, vice, pode até acontecer. Mas no Senado tem que ser gente fiel a ele. Ele disse que está firme nisso”, declarou Sanderson.
De acordo com ele, Bolsonaro também tocou no assunto sobre uma composição para a vice de Flávio. “Ele gosta muito do Zema. Disse que seria um ótimo nome para vice. Eu falei que acho o Zema um bom nome. Se tiver que apostar, diria que será ele”, afirmou. O Valor apurou, no entanto, que a estratégia da coordenação da campanha é atrasar a divulgação da candidatura a vice, para permitir negociações com os partidos.