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Conflito no Irã faz preço do petróleo subir mais de 10%; bolsas caem, e investidores buscam ouro e dólar | Mundo

Os preços do petróleo disparam e os mercados acionários recuam com a escalada do conflito de Estados Unidos e seu aliado Israel contra o Irã, iniciado no sábado (28 de fevereiro).

O petróleo bruto Brent, referência internacional, chegou a subir 13%, antes de reduzir os ganhos, batendo US$ 82 por barril. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI, referência nos Estados Unidos) sobe 7,1%, para US$ 71,77 o barril. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo transportado por mar, alavanca os preços da commodity.

Em reação à ampliação do conflito, a Opep+ concordou, em reunião previamente agendada no fim de semana, em aumentar as cotas de produção no próximo mês em 206 mil barris por dia. Já era esperado que o grupo, que inclui o Irã, além da Arábia Saudita e da Rússia, retomasse aumentos modestos antes do início das hostilidades no sábado.

O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, ou 3% da produção global, mas exerce influência maior sobre o fornecimento de energia devido à sua localização estratégica ao lado do estreito. O petróleo do Golfo Pérsico precisa atravessar essa rota para chegar a grandes mercados como China, Índia e Japão.

A guerra desestabilizou os mercados globais. As ações asiáticas caem. A Bolsa de Tóquio cai 2,3% na sessão matinal. Xangai abre em queda de 0,3% enquanto Hong Kong cai 1,2% na abertura. A exceção fica para as ações de petroleiras e empresas de energia em geral, que estão ganhando com a alta dos preços. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuam mais de 1% em sua primeira reação à guerra.

Com isso, os investidores buscam reduzir a exposição ao risco e e recorrem a ativos de refúgio. Os títulos do Tesouro americano sobem, com o rendimento do título de dez anos caindo para o menor nível desde abril e o rendimento do título de 5 anos recuando para o menor nível desde outubro de 2024.

O ouro avança 1,6%, sendo negociado perto de US$ 5.360 a onça. O dólar se fortalece em relação a quase todas as moedas do G10. “A história nos ensina que choques geopolíticos tendem a produzir movimentos iniciais acentuados no petróleo e em ativos de refúgio, que geralmente se dissipam rapidamente se o conflito se mostrar contido”, disse Josh Gilbert, analista de mercado da eToro Ltd.

“Até que haja sinais claros de desescalada, os investidores devem esperar volatilidade elevada no petróleo, ouro, moedas e ações ao longo da próxima semana.”

Abalados por novas preocupações com a inteligência artificial e possíveis fragilidades no crédito, enquanto negociam a avaliações historicamente altas, os mercados de ações agora precisam lidar com a escalada da atividade militar no Irã e na região em geral, que ameaça desestabilizar o transporte marítimo global e limitar as viagens.

O impacto sobre o petróleo e a inflação é de extrema importância nos mercados, que no mês passado viram as ações americanas registrarem sua pior queda desde abril. A Bloomberg Economics afirmou que, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado , isso poderá levar o preço do petróleo a US$ 108 por barril.

Embora o Irã tenha feito declaração oficial de que não tem intenção de fechar Ormuz, o país também informou ter atacado três navios na região, aumentando os temores de que o fornecimento possa ficar mais restrito. Sinais digitais indicam que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz praticamente parou,

“Os mercados estão precificando um conflito limitado, com implicações mais amplas para os investimentos ainda administráveis, a menos que a escalada se prolongue”, escreveu Adam Hetts, chefe global de multiativos da Janus Henderson, em um relatório. “Como sempre, a diversificação e uma perspectiva de longo prazo são cruciais quando a incerteza atinge o pico.”

O conflito marca uma nova e perigosa fase para o mercado global de petróleo. EUA e Israel lançaram mísseis contra alvos em todo o Irã no sábado, enquanto instavam a população local a derrubar o regime islâmico. Teerã respondeu com uma onda de ataques contra Israel, bem como contra bases americanas e outros alvos em países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto.

O petróleo já vinha em alta neste ano, registrando dois meses consecutivos de ganhos, impulsionado por tensões geopolíticas persistentes e uma série de interrupções localizadas na oferta. Os avanços ocorreram apesar das expectativas de que o mercado global enfrentaria um grande excedente, após aumentos de produção pela Opep+ e por países fora do grupo.

O salto nos custos de energia, se sustentado, pode elevar as pressões inflacionárias ao redor do mundo. Isso tende a complicar o trabalho de bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, que buscam administrar o ritmo de alta dos preços ao mesmo tempo em que apoiam o crescimento e o emprego.

O tráfego de petroleiros “parece significativamente interrompido, já que muitos transportadores, produtores de petróleo e seguradoras adotaram uma postura cautelosa de esperar para ver”, escreveram analistas do Goldman Sachs Group Inc., incluindo Daan Struyven. “Até onde sabemos, não há danos confirmados à produção ou à infraestrutura de exportação de petróleo.”

Antes da guerra com o Irã, o presidente Trump já vinha adotando uma política externa cada vez mais agressiva. No fim de janeiro, forças americanas invadiram a Venezuela e capturaram o ex-presidente Nicolás Maduro, com o governo passando então a afirmar controle sobre a indústria petrolífera do país.

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