O ministro da Agricultura e da Pecuária, Carlos Fávaro, confirmou à imprensa brasileira que o governo de Tóquio vai enviar uma equipe de especialistas para analisar as condições fitossanitárias no Brasil. A posição foi apresentada na noite de terça-feira (manhã no horário de Brasília) no hall do hotel que hospeda o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita de Estado ao país asiático.
A inspeção é um pequeno, mas importante passo para a entrada da carne bovina brasileira no mercado japonês. O pleito de Brasília que se arrasta há mais de duas décadas ainda precisa ser colocado no papel no encontro que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, realiza com o primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, na noite de quarta-feira (manhã no horário de Brasília). Os técnicos precisam confirmar que o Brasil está livre de febre aftosa para que a carne brasileira possa ser comercializada no Japão.
A falta desse compromisso nos cerca de 80 acordos que o Brasil e o Japão assinam, durante a visita de Estado de Lula a Tóquio, é considerado como um grande passo para trás no momento em que os dois países comemoram 130 anos de relações diplomáticas. A entrada do produto brasileiro com preço competitivo pode baratear o preço da carne bovina e ajudar a conter a onda inflacionária que atinge o país asiático.
O Japão sinaliza a abertura de um mercado que importa US$ 4 bilhões por ano e é dominado pelos Estados Unidos e a Austrália. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, tem muito espaço para avançar nas prateleiras japonesas. A mudança de posição do governo de Tóquio acontece em meio à tensão no comércio mundial com taxas impostas pelo presidente americano Donald Trump.
O mercado doméstico japonês é um dos mais ricos do mundo e vem sendo disputado por vários países que procuram alternativas às dificuldades comerciais impostas pelo novo governo de Washington. No fim de semana que antecedeu à visita do presidente Lula, os ministros das relações exteriores do Japão, Coreia do Sul e China realizaram encontro para promover a estabilidade do Leste da Ásia. Chineses e coreanos também pedem abertura do mercado japonês para seus produtos. Tóquio reclama principalmente a atividade provocativa de Pequim em áreas marítimas disputadas por ambos os países.