Sinop, 23/02/2026 21:53

  • Home
  • Geral
  • Governo recua e suspende dragagem após ocupação no Tapajós

Governo recua e suspende dragagem após ocupação no Tapajós

O Governo Federal anunciou nesse domingo (22), por meio do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a suspensão da licitação de dragagem do Rio Tapajós após ocupação das instalações da multinacional Cargill, em Santarém (PA), realizada na madrugada do último sábado (21). A decisão expõe a escalada da tensão entre a União, os povos indígenas do Baixo Tapajós e o setor do agronegócio.

Segundo o Ministério, a suspensão da licitação veio acompanhada de medidas administrativas e da convocação de reuniões para esta segunda-feira (23), que devem envolver a Secretaria-Geral da Presidência, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Pará. A pasta informou ainda que notificou a Companhia Docas do Pará (CDP) e acionou a Advocacia-Geral da União (AGU).

Em nota, o ministério reconheceu o direito constitucional à manifestação, mas endureceu o tom ao afirmar que “atos que gerem violência, invasões ou ocupações irregulares são ilegais e não serão tolerados”. O governo também reforçou que atuará “com firmeza na defesa da legalidade, da ordem pública e do interesse da sociedade”.

A ocupação se deu com apoio de lideranças indígenas da região. – Foto: Coletivo Apoena Audiovisual

O que reivindicam os indígenas

A mobilização é liderada por povos indígenas do Baixo Tapajós, organizados pelo Conselho Tapajós e Arapiuns (Cita), que contestam o Decreto nº 12.600/2025, editado pelo presidente Lula, que inclui os rios amazônicos no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Para as lideranças, a medida abre caminho para concessões de navegabilidade e obras de dragagem sem consulta prévia às comunidades tradicionais, o que, segundo elas, viola direitos constitucionais e tratados internacionais.

Os protestos começaram em 22 de janeiro, com bloqueios ao acesso de veículos ao terminal da Cargill. Sem resposta do Governo Federal por cerca de 30 dias, o movimento foi escalado até a ocupação das instalações. 

Em nota, o Conselho declarou por meio de nota: “Após um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas, ocupamos o escritório da empresa Cargill, em Santarém”.

Impacto e reação da empresa

A Cargill informou que as operações no terminal foram “completamente interrompidas” após a ocupação e relatou “fortes evidências de vandalismo e danos a ativos”. O terminal tem peso estratégico para o setor do agronegócio, já que em 2025, movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho, mais de 70% dos grãos embarcados pelo porto paraense, segundo dados do setor.

Na noite de sexta-feira (20), antes da invasão em Santarém, manifestantes também vandalizaram a fachada do escritório central da empresa em São Paulo, ampliando a pressão sobre a multinacional.

Design sem nome 48 1
Além de palavras de ordem, os manifestantes também utilizaram faixas e arcos durante ocupação – Foto: Coletivo Apoena Audiovisual

Disputa chega ao Judiciário

A crise rapidamente migrou para a esfera judicial. No sábado (21), a Cargill acionou a Justiça Federal para retirar os manifestantes, mas a Subseção Judiciária de Santarém negou a análise do pedido em regime de plantão.

O juiz federal Eneias Alexandre Gonçalves Torres reconheceu a gravidade do caso, mas avaliou que medidas imediatas não eram recomendáveis naquele momento, considerando a presença de mulheres, crianças e idosos no local.

O Ministério Público Federal (MPF) também entrou no caso e contestou a intimação para desocupação em 48 horas, classificando-a como irregular por ter sido feita de forma genérica, por megafone e sem notificação individual dos indígenas.

Reação do Agronegócio

Do outro lado do embate, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) adotou tom duro. Em nota assinada pelo presidente do colegiado, deputado Pedro Lupion (Republicanos), o grupo classificou a ocupação como ilegal.

“A invasão do terminal da Cargill, no Porto de Santarém (PA), é um ato ilegal e incompatível com o Estado Democrático de Direito. […] A estabilidade das relações institucionais, a segurança jurídica e a proteção da propriedade são pressupostos indispensáveis à convivência democrática”, afirmou a frente.

O texto sustenta que a ocupação forçada “extrapola qualquer forma legítima de manifestação” e configura prática inadmissível ao buscar paralisar atividades essenciais. Com o posicionamento, a Frente sinaliza que o impasse sobre o Tapajós deve permanecer no centro da disputa política nas próximas semanas.

A situação pressiona também o escoamento dos grãos em um momento de pico na colheita de soja, em especial em Mato Grosso. Enquanto o terminal segue em disputa, um congestionamento de 25km segue impactando a exportação da produção mato-grossense, no porto de Miritituba, no município de Itaituba (PA), às margens da BR-163.

  1. Fila de 25 km trava escoamento da soja de MT no Arco Norte

  2. Colheita da soja avança de forma lenta em MS

  3. Crime contra armazém de soja causa prejuízo de R$ 700 mil em Tapurah

  4. MT lidera colheita de soja e média nacional segue em ritmo lento

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Fluminense supera Vasco e garante vantagem mínima na semifinal do Carioca

O Flamengo deu um passo importante rumo à final do Campeonato Carioca ao vencer o…

Manchester United vence Everton no fim da 27ª rodada

Pelo encerramento da 27ª rodada da Premier League, o Manchester United visitou o Everton no…

apostas de MS acertam 15 números e ganham R$ 800 mil

Entre as cinco apostas vencedoras da Lotofácil 3619, duas são de Mato Grosso do Sul.…