As importações surpreenderam na balança comercial brasileira do primeiro mês de 2026, com queda de 9,8% ante janeiro de 2025, o que pode ser mais um sinal da desaceleração da economia. A redução foi puxada por bens intermediários, cujos desembarques caíram 15%. O comportamento se alinha aos últimos dados da produção industrial, que perdeu força nos últimos meses do ano passado. A avaliação é de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
A balança comercial do país fechou janeiro com superávit de US$ 4,3 bilhões, bem acima dos US$ 2,3 bilhões de igual mês do ano passado. O aumento do saldo comercial, porém, resultou de queda de 9,8% na importação. As exportações também caíram, mas em variação menor, de 1%. Com isso, apesar do aumento de superávit, a corrente de comércio caiu. Ficou em US$ 46 bilhões, 5,1% a menos que em janeiro de 2025. Os dados foram divulgados esta tarde pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic).
Castro explica que a queda de importação de bens intermediários influencia muito a importação como um todo, porque é a mais representativa entre as categorias econômicas. Em janeiro de 2026 a fatia dos intermediários nos desembarques totais do Brasil foi de 59,2% ante 62,8% em igual mês do ano passado. Embora não fosse esperada uma queda no nivel divulgado, a retração nas compras externas da categoria, diz Castro, vem em consonância com os dados de produção industrial mais recentes.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial recuou 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, acentuando o comportamento predominantemente negativo observado desde setembro de 2025, período em que acumulou uma perda de 1,9%.
Ainda nas importações, Castro destaca a queda de 21,5% em combustíveis e um comportamento mais próximo da estabilidade em bens de capital, que tiveram alta de 1,1%. Chama a atenção, aponta, o comportamento aparentemente destoante de bens de consumo, cujo valor desembarcado subiu 11,9% em janeiro, sempre ante igual mês de 2025. Isso pode ser explicado, diz, pela importação de automóveis. O item somou US$ 564 milhões em importações em janeiro deste ano, mais que o dobro dos US$ 274 milhões de igual período de 2025. Do total de janeiro deste ano, fatia de 75% veio da China, origem da qual importamos US$ 374,9 milhões em veículos. Em janeiro de 2025 o valor – US$ 31,7 milhões – ficou abaixo de um décimo do de igual mês neste ano.
Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia