Embora o mercado de ações da Coreia do Sul esteja em uma trajetória de alta histórica, as autoridades financeiras estão tentando conter a onda de investidores de varejo que correram para comprar ações americanas em níveis recorde.
Contas de investimento especiais com isenções fiscais serão oferecidas a pessoas físicas que venderem ações no exterior e reinvestirem no mercado de ações doméstico. O programa governamental começará já neste mês.
Especificamente, se um investidor de varejo vender ações no exterior e investir no mercado doméstico por mais de um ano, até 50 milhões de won (US$ 34.156) em ganhos de capital serão isentos de impostos.
A ideia é evitar a fuga de dólares e promover “a revitalização do mercado de capitais doméstico”, afirmou o Ministério da Economia e Finanças.
Investidores de varejo sul-coreanos compraram US$ 32,4 bilhões em ações americanas em termos líquidos no ano passado, de acordo com a Korea Securities Depository. Isso representa mais do que o triplo do valor de 2024 e o maior volume já registrado. No mês passado, as compras líquidas atingiram US$ 5 bilhões, o maior total mensal desde que os dados começaram a ser coletados, em 2011.
Além da compra de ações de empresas de tecnologia americanas, como Nvidia e Apple, também há uma tendência, especialmente entre os jovens, de buscar produtos de investimento alavancados, como fundos de alta/baixa (bull/bear funds), que movimentam o dobro ou o triplo da variação do valor de uma ação subjacente, seja para cima ou para baixo.
Durante uma entrevista coletiva em novembro, Rhee Chang-yong, então presidente do Banco da Coreia, expressou preocupação com a corrida por investimentos de alto risco.
“Quando perguntei aos jovens por que estavam fazendo isso, eles responderam: ‘Porque é legal’, o que me surpreendeu”, disse o chefe do banco central.
O aumento do investimento no exterior por jovens pode ser atribuído à “alta taxa de retorno do mercado de ações americano no longo prazo”, afirmou Hwang Sei-woon, pesquisador sênior do Instituto de Mercado de Capitais da Coreia.
O índice de referência da bolsa de Seul, o Kospi, subiu aproximadamente 8% ao ano entre 2016 e 2025, enquanto o S&P 500 cresceu cerca de 13% ao ano.
Embora as ações sul-coreanas tenham disparado mais de 70% no ano passado, as expectativas permanecem altas de que as ações americanas continuarão a proporcionar retornos elevados devido ao boom tecnológico.
Essa tendência de alocação de recursos para o mercado americano de alto crescimento apresenta um padrão semelhante ao do Japão. Mas na Coreia do Sul, “as gerações de meia-idade e mais velhas têm pouca confiança na moeda do país, e as gerações mais jovens também têm fortes preocupações com o futuro da economia nacional”, disse Atsushi Takeda, economista-chefe do Instituto de Pesquisa Itochu.
Essas visões decorrem, em parte, do colapso da moeda sul-coreano, o won, durante a crise financeira asiática da década de 1990. A crise financeira global de 2008 também levou a uma desvalorização da moeda.
As empresas sul-coreanas ainda não estão repatriando as divisas que receberam. O won permanece fraco em relação ao dólar, cotado a cerca de 1.450 wons por dólar. O avanço dos investimentos em ações americanas também exerce pressão de baixa sobre o won.
Os investidores de varejo sul-coreanos são frequentemente chamados de “formigas”, um termo que denota como cada indivíduo é pequeno em comparação com os investidores institucionais e estrangeiros, mas se movimentam em grande número.
A rápida valorização dos imóveis tem dificultado a compra de propriedades por jovens. Pessoas preocupadas com a aposentadoria estão recorrendo a investimentos de risco em ações.
O saldo devedor de empréstimos com garantia em ações atingiu recentemente 30 trilhões de won, um recorde. O medo de ficar para trás nos ganhos do mercado levou a uma alta nas operações com margem. A KB Securities e a Korea Investment Securities suspenderam novos empréstimos com garantia em ações após atingirem seus limites de crédito.
Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia