O Irã solicitou aos EUA que as negociações diplomáticas, originalmente planejadas para a Turquia, sejam transferidas para Omã e que a agenda seja limitada ao programa nuclear da República Islâmica, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Teerã resiste à pressão dos EUA para incluir seu programa de mísseis balísticos e o apoio a milícias aliadas no Oriente Médio nas negociações, disseram as fontes à agência Bloomberg, que pediram para não serem identificadas. O Irã também se opõe à participação de outros países da região, além da Turquia, nas negociações.
Fontes iranianas disseram à Reuters na semana passada que Trump exigiu três condições para a retomada das negociações: enriquecimento zero de urânio no Irã, limites ao programa de mísseis balísticos de Teerã e o fim do apoio a grupos armados regionais.
O Irã afirma que cumprir as três exigências são violações inaceitáveis de sua soberania, mas dois funcionários iranianos disseram à Reuters que seus governantes religiosos consideram o programa de mísseis balísticos, e não o enriquecimento de urânio, o maior obstáculo.
Teerã, que afirma ter reabastecido seu estoque de mísseis balísticos desde que foi atacada por Israel no ano passado, alertou que usará seus mísseis para defender a República Islâmica se sua segurança estiver ameaçada.
Desde os ataques dos EUA em junho, Teerã afirma que suas atividades de enriquecimento de urânio — que, segundo o país, têm fins pacíficos e não militares — foram interrompidas.
Mas o aumento da presença militar americana no Oriente Médio tem intensificado os temores de um confronto. Os preços do petróleo ampliaram os ganhos na quarta-feira, depois que os EUA abateram um drone iraniano e barcos armados iranianos se aproximaram de uma embarcação com bandeira americana no Estreito de Ormuz, reacendendo os temores de uma escalada entre Washington e Teerã.
O presidente americano, Donald Trump, disse a repórteres na Casa Branca na terça-feira: “Estamos negociando com eles neste momento”, mas não deu mais detalhes e se recusou a dizer onde as negociações ocorreriam.
Uma fonte familiarizada com a situação disse que o genro de Trump, Jared Kushner, deveria participar das negociações, juntamente com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã , Abbas Araqchi.
Ministros de vários outros países da região, incluindo Paquistão, Arábia Saudita, Catar, Egito e Emirados Árabes Unidos, também eram esperados, mas a fonte regional disse à Reuters que Teerã queria apenas conversas bilaterais com os EUA.
A Marinha dos EUA vem reforçando suas forças na região após a violenta repressão do Irã contra manifestações antigovernamentais no mês passado, a mais sangrenta desde a revolução iraniana de 1979.
Trump, que não chegou a cumprir as ameaças de intervir, exigiu posteriormente concessões nucleares do Irã, enviando uma flotilha à sua costa.
Segundo seis autoridades iranianas, atuais e antigas, a liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos EUA desequilibrar o país, levando uma população já enfurecida de volta às ruas.
A prioridade do esforço diplomático é evitar conflitos e reduzir a tensão, disse um funcionário regional à Reuters anteriormente.
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