O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a prisão temporária de Cleusa Bianchini, apontada como mandante do assassinato do advogado José Antônio Silva, conhecido como “Doutor Pinga”. A decisão, assinada pelo desembargador Orlando Perri, também alcança Giovanna dos Santos Vageti, neta de Cleusa, além de outros dois investigados. A motivação do crime seria uma disputa judicial envolvendo uma dívida de R$ 4,5 milhões em honorários advocatícios.
A Justiça considerou que a prisão é necessária para evitar interferências na investigação, diante da gravidade do caso e do risco de obstrução. O homicídio ocorreu em meio a uma disputa judicial sobre 218 hectares de terra. Pelo contrato firmado, José Antônio teria direito a 20% da área, cerca de 43 hectares, avaliados em aproximadamente R$ 4,5 milhões.
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Segundo a investigação, Cleusa tentou por mais de três anos convencer Kelvinmar Cardoso Silva, ex-funcionário dela, a matar o advogado. Testemunhas relataram que a idosa abordava o homem constantemente com a proposta, mas ele resistia. A situação mudou em junho deste ano, após Kelvinmar deixar a prisão e retomar o trabalho em um ponto comercial da investigada. Nesse período, ele aceitou intermediar a execução e adquiriu uma pistola calibre .380 por R$ 8 mil, repassando a arma a Cleusa.
O plano previa que o homicídio fosse cometido por um homem conhecido como “Mete Bala”, identificado como Kall Igor Pereira Machado, apontado como integrante do Comando Vermelho em Tangará da Serra. O crime ocorreu com sinais de extrema violência, pois a vítima foi atingida por um tiro na região da cabeça, apresentava indícios de tortura e parte dos dedos da mão direita decepados. Um cabo de vassoura encontrado próximo ao corpo sugere violência sexual.
Durante as apurações, a polícia descobriu uma tentativa de desviar o rumo das investigações. Giovanna Vageti, neta de Cleusa, fez uma ligação anônima ao Hospital 13 de Maio, em Sorriso, informando sobre o local do cadáver e insinuando ligação com facção criminosa. Em depoimento, ela alegou que foi forçada a fazer a chamada por homens não identificados, mas não conseguiu sustentar a versão. Para a polícia, a ação buscava afastar o foco da disputa patrimonial como motivo do crime.
Relatos indicam ainda que Kelvinmar começou a pressionar Cleusa após o fracasso na execução do homicídio, exigindo o valor gasto na compra da arma. Ele chegou a ameaçar publicamente a idosa, chamando-a de “assassina”, antes de morrer em um acidente de motocicleta, no dia 18 de julho. Pouco antes, teria alertado familiares que “Mete Bala” iria cobrar a dívida diretamente dela.