A União Europeia deu um passo decisivo nesta sexta-feira (9) para destravar o acordo comercial com o Mercosul ao obter o aval preliminar da maioria dos seus Estados-membros, encerrando uma etapa simbólica de um processo que se arrasta há mais de duas décadas. Apesar do avanço, o tratado segue cercado de controvérsias políticas e resistência interna, especialmente em países com forte peso do setor agrícola.
Segundo fontes diplomáticas europeias, os embaixadores dos 27 países do bloco concordaram, de forma provisória, com a maior parte do conteúdo do acordo negociado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A formalização do posicionamento dos países ainda depende de confirmação escrita, prevista para ser concluída até o fim do dia no horário de Bruxelas.
Mesmo com a maioria favorável, a aprovação não foi unânime. França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria manifestaram voto contrário, enquanto a Bélgica optou pela abstenção. A oposição francesa é a mais vocal e politicamente relevante, tanto pelo peso econômico do país quanto pela pressão interna exercida por produtores rurais.
Com o sinal verde preliminar, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo com os países do Mercosul já na próxima semana. Ainda assim, para que o tratado entre em vigor, será necessária a ratificação pelo Parlamento Europeu, além da conclusão de mecanismos de implementação e salvaguardas.
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O acordo é visto por Bruxelas como estratégico para ampliar a integração econômica entre dois grandes blocos comerciais, reduzir tarifas e barreiras ao comércio e fortalecer as cadeias globais em um contexto de disputas geoeconômicas crescentes. Para os países do Mercosul, a expectativa é de maior acesso ao mercado europeu e estímulo às exportações. Para a União Europeia, o tratado representa uma forma de diversificar parceiros comerciais e reduzir dependências externas.
Apesar disso, o avanço do acordo ocorre sob forte contestação social e política. O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou nesta semana que orientou o voto contra o tratado, reforçando a posição do governo de Paris como principal polo de resistência dentro do bloco.
Os agricultores franceses lideram os protestos, alegando que o acordo abriria o mercado europeu a produtos sul-americanos mais competitivos, produzidos sob padrões ambientais, sanitários e trabalhistas diferentes dos exigidos na União Europeia, o que poderia gerar concorrência considerada desleal.
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Diante dessa pressão, o Conselho e o Parlamento Europeu discutem a criação de mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis, especialmente na agricultura. Entre as propostas estão cláusulas que permitiriam suspender benefícios tarifários caso importações causem danos relevantes às produções locais.
Assim, embora o acordo entre UE e Mercosul tenha avançado formalmente após 25 anos de negociações, seu futuro ainda depende de um delicado equilíbrio entre interesses comerciais, pressões internas e compromissos políticos, especialmente em países onde o setor agrícola tem forte influência sobre governos e parlamentos.
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