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Mega empresário do agro revela por que deixou a gestão da própria empresa para atuar no governo Lula

Dono da Sementes Petrovina, uma das maiores produtoras de sementes do país, o megaempresário Carlos Ernesto Agustin tomou uma decisão incomum no agronegócio brasileiro. Ele deixou a administração direta da própria companhia para assumir funções estratégicas no governo federal. A mudança, segundo ele, nasceu da percepção de que as transformações que realmente movem o setor acontecem na política e não apenas na técnica ou na gestão privada. Como ele próprio resume, “eu vi que poderia fazer mais pela agricultura dentro da política do que sentado na administração da empresa”.

Criador de entidades do agro, Carlos Agustin conta como a política se tornou o caminho para transformar o setor no Brasil. (Foto: Primeira Página)

Aos 68 anos, Agustin tem uma trajetória marcada pela criação de entidades como Aprosoja, Fórum Agro MT e Instituto Pensar Agro. Ele conta que a virada ocorreu no período do Plano Real, quando a desorganização econômica levou produtores à beira da falência. Na época, morava isolado na fazenda e acreditava que o trabalho no campo dependia apenas de conhecimento técnico. Essa visão mudou quando os preços despencaram e ele precisou entrar no debate político para evitar que milhares de agricultores quebrassem. Foi nesse momento que percebeu a dimensão pública do agronegócio. “Aprendi que tudo que a gente faz na agricultura, na parte técnica ou econômica, não substitui a política. Quando o governo muda imposto, prorroga dívida ou cria um financiamento, ele transforma uma região inteira”, afirma.

A ida a Brasília se transformou em rotina. Sem cargo e sem estrutura, passou a visitar gabinetes, mobilizar sindicatos e organizar produtores. Dessa articulação nasceram iniciativas como o Fórum Agro MT, que aproximou o setor das decisões tomadas na capital federal. A experiência política acumulada fora do governo abriu caminho para sua atuação dentro da estrutura pública. Hoje, ele integra equipes responsáveis por programas de sustentabilidade, recuperação de pastagens, certificações ambientais e abertura de mercados internacionais.

Segundo Agustin, a decisão de se afastar da gestão direta da Petrovina surgiu da compreensão de que o impacto de suas ações seria maior se estivesse dentro do governo. “A política é mais rápida e mais eficiente. Todo cidadão tem o dever de participar dela”, diz. Para ele, transformar o campo exige políticas públicas de longo prazo, estabilidade diplomática, crédito acessível e capacidade de construir consenso.

O empresário também comenta o distanciamento em relação ao governo Bolsonaro. Diz que ficou profundamente insatisfeito com a condução das relações internacionais e com a instabilidade gerada em mercados estratégicos. Ele relata que episódios recorrentes de tensão com a China prejudicaram o ambiente de negócios e obrigaram autoridades brasileiras a tentarem contornar crises criadas pelo próprio Executivo. Na avaliação dele, muitos produtores não percebiam o impacto direto dessas ações sobre exportações e financiamentos.

No governo Lula, Agustin afirma ver um cenário mais favorável, especialmente na expansão de mercados, em políticas de crédito e nos programas ambientais que buscam recuperar áreas degradadas com apoio técnico e financiamento sustentável. Segundo ele, essa agenda tem potencial para mudar a lógica produtiva de milhões de hectares. A experiência no setor público, diz, ampliou o alcance do seu trabalho. “O setor público te dá oportunidades. Quando você tem ideias boas, consegue fazer coisas excepcionais que impactam milhares de produtores”, destaca.

Em sua visão, o país vive um momento estratégico nas negociações internacionais e precisa aproveitar as oportunidades abertas pela demanda global por alimentos e produtos de baixo impacto ambiental. Ao encerrar a entrevista, ele deixa uma mensagem direta aos agricultores. “O Brasil é uma potência agrícola, é uma potência verde, é uma potência energética e é uma potência de mercado. Se fizermos bem feito, vai dar tudo certo”, afirma.

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