Sinop, 26/01/2026 10:05

Moagem de cacau fecha 2025 com queda de 14,6%, segundo AIPC

Foto: iStock | ASN BA

O setor brasileiro de cacau fechou 2025 com queda expressiva na moagem e retração do consumo interno de derivados. Dados do Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, compilados pelo SindiDados – Campos Consultores, mostram que a moagem totalizou 195.882 toneladas, recuo de 14,6% em relação a 2024, quando haviam sido processadas 229.334 toneladas.

No quarto trimestre, o cenário também foi negativo. A indústria moeu 51.816 toneladas, volume 13,1% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. Segundo a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, o desempenho reflete a combinação de custos elevados da matéria-prima e menor demanda por derivados de cacau, o que reduziu o ritmo de processamento ao longo do ano.

Recebimento de amêndoas cresce, mas não resolve gargalo

Apesar da queda na moagem, o recebimento de amêndoas apresentou leve reação em 2025. O volume somou 186.137 toneladas, alta de 3,7% frente a 2024. Ainda assim, o avanço não foi suficiente para atender plenamente a demanda da indústria nacional.

No quarto trimestre, o recebimento alcançou 59.737 toneladas, crescimento de 9,7% na comparação anual, indicando maior disponibilidade de matéria-prima no encerramento do ano.

Por estado, os dados mostram movimentos contrastantes. A Bahia ampliou suas entregas de 106,4 mil para 112,5 mil toneladas, crescimento de 5,7%, mantendo-se como principal origem, com participação de 60,5% do total. O Espírito Santo praticamente dobrou o volume recebido, saltando de 5.968 para 10.054 toneladas, enquanto Rondônia avançou 36,4%, para 1.795 toneladas.

Na contramão, o Pará registrou queda de 6,3%, com recuo de 65,6 mil para 61,5 mil toneladas, reduzindo sua participação no total nacional. Os demais estados seguem com peso marginal no abastecimento.

Consumo interno de derivados encolhe

A retração da moagem veio acompanhada de uma queda ainda maior na comercialização interna de derivados de cacau. Em 2025, o volume vendido no mercado brasileiro caiu de 177.669 para 144.932 toneladas, recuo de 18,4%, superando a própria queda do processamento.

A redução atingiu todas as categorias:

  • Liquor de cacau: –22,9%
  • Manteiga de cacau: –23,9%
  • Pó de cacau: –13,1%
  • Torta de cacau: –7,0%

Segundo a AIPC, o movimento evidencia uma queda consistente do consumo interno, levando a indústria a operar bem abaixo da capacidade instalada.

Comércio exterior ajuda a amortecer o impacto

No comércio exterior, o cenário foi misto. As importações de amêndoas somaram 42.143 toneladas em 2025, alta de 65,2% sobre 2024, reflexo da necessidade de suprir a indústria no primeiro semestre, diante da safra fraca. No quarto trimestre, porém, as importações foram zeradas, acompanhando a queda da demanda.

Já as importações de derivados cresceram 4%, para 42.844 toneladas, concentradas principalmente em Estados Unidos e Países Baixos, com destaque para cacau em pó e pasta desengordurada.

As exportações de derivados, por sua vez, sustentaram desempenho positivo no acumulado do ano. Os embarques somaram 52.951 toneladas, avanço de 5,4% em relação a 2024. A Argentina seguiu como principal destino, respondendo por 40% do total, seguida pelos Estados Unidos e pelos Países Baixos.

Segundo a AIPC, a retirada dos derivados de cacau da tarifa adicional de 40% imposta pelos EUA foi decisiva para preservar a competitividade do produto brasileiro. Após forte queda entre agosto e outubro, os embarques ao mercado norte-americano reagiram no fim do ano, com destaque para dezembro, quando as exportações mais que dobraram.

Para Anna Paula Losi, apesar dos sinais pontuais de recuperação no comércio exterior, 2025 ficou marcado como um ano de ajuste duro para a indústria de cacau, pressionada por custos elevados, menor consumo interno e volatilidade no cenário internacional.

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