A busca por planos de saúde internacionais tem crescido de forma consistente entre médicos e profissionais da saúde no Brasil. A tendência é impulsionada pela percepção de que a medicina mundial avança em ritmo muito superior ao da incorporação de novos tratamentos no mercado nacional, especialmente no que diz respeito a terapias de alto custo e medicamentos de última geração.
Nos últimos anos, surgiram tratamentos capazes de alterar o curso de doenças raras e graves, muitos deles baseados em terapias genéticas, imunoterapias e biotecnologia avançada. Entretanto, a maior parte dessas soluções não está disponível nos planos nacionais — seja por ausência de aprovação regulatória no país, seja pelo custo extremamente elevado, que inviabiliza a inclusão nas coberturas tradicionais.
Entre os exemplos mais emblemáticos estão medicamentos de impacto clínico significativo, cujos valores ultrapassam amplamente a capacidade de cobertura das operadoras locais. O medicamento importado de última geração, indicado para a doença Atrofia Muscular Espinhal (AME), é considerado o medicamento mais caro do mundo, com custo aproximado de US$ 2,1 milhões por dose. Outro, utilizado no tratamento de lipodistrofia, gera um gasto mensal superior a US$ 71 mil. O que é indicado para deficiência de NAGS pode alcançar um custo anual de US$ 636 mil. Já o que é indicado para terapia genética destinada à Amaurose Congênita de Leber chega a US$ 850 mil por dose. Por fim, o empregado no tratamento da Anemia Hemolítica Paroxística Noturna apresenta um custo médio anual de US$ 700 mil.
Enquanto o sistema brasileiro opera com limites regulatórios mais rígidos, seguradoras internacionais já disponibilizam cobertura para esses e outros tratamentos aprovados por agências como a FDA (EUA) e a EMA (Europa), garantindo acesso a procedimentos, terapias e medicamentos sem as fronteiras regulatórias presentes no mercado nacional.
Segundo Vanderli Rico, sócia da Medical Seguro, corretora especializada em profissionais da saúde, a migração ocorre tanto por necessidade clínica quanto por planejamento de longo prazo.
“Vivemos em um cenário globalizado, onde muitos médicos e suas famílias estudam, trabalham ou realizam tratamentos fora do Brasil. Ter um plano que acompanha a velocidade da medicina mundial deixou de ser diferencial e passou a ser uma necessidade de proteção”, afirma.
A Medical Seguro trabalha com seguradoras internacionais como VUMI e EVER, que oferecem produtos voltados a um público altamente qualificado e exigente. Esses planos ampliam o acesso a redes internacionais, estruturas hospitalares de referência e protocolos terapêuticos que ainda não fazem parte do rol de cobertura brasileiro.
O movimento reflete uma mudança maior no mercado de saúde suplementar: consumidores mais informados e com maior capacidade de análise buscam soluções que ofereçam previsibilidade, amplitude de cobertura e liberdade terapêutica. Para profissionais da saúde, cuja visão técnica permite avaliar riscos e limitações de forma mais precisa, essa decisão tende a ser ainda mais estratégica.
A tendência indica que o mercado de planos internacionais deve ganhar relevância nos próximos anos, especialmente entre camadas mais especializadas da população, como médicos, executivos, expatriados e famílias que transitam frequentemente entre países.
Com a crescente adoção de terapias de alta complexidade e a rápida evolução da biotecnologia, a discussão sobre acesso, cobertura e sustentabilidade deve se intensificar, e os planos internacionais surgem como uma alternativa cada vez mais presente na tomada de decisão dos consumidores brasileiros.
Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia