O presidente global da Enel, Flavio Cattaneo, sugeriu, como alternativa para solucionar problemas com a estrutura elétrica suspensa, a substituição de árvores de maior porte localizadas na área de concessão da empresa em São Paulo por outras menores, que não atinjam as redes aéreas. A proposta seria, segundo a empresa, opção à construção de redes subterrâneas, saída defendida por especialistas para evitar blecautes de longa duração após eventos extremos, mas que exigem investimentos vultuosos.
Cattaneo, que participou de entrevista coletiva sobre o plano estratégico da Enel para o período 2026-2028, ressaltou que São Paulo é a única grande cidade do mundo com rede aérea, enquanto outras metrópoles, como Madri, Paris e Roma, possuem redes subterrâneas. E mesmo onde nestas cidades existem trechos de redes aéreas, a fiação passaria “dentro da copa” das árvores.
O executivo contou que pretende apresentar uma proposta ao governo, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para derrubar árvores de maior porte e plantar outras menores nos mesmos lugares, para criar “corredores” de energia elétrica, que não seriam mais afetados em caso de vendavais.
“Teremos o mesmo número de árvores que tínhamos antes [de uma eventual remoção], mas apenas árvores menores. Assim, se houver vento ou se as árvores forem completamente derrubadas [por vendavais], não interferirão nos cabos”, afirmou Cattaneo.
Em 2023, as redes da Enel São Paulo foram afetadas por uma tempestade que deixou mais de 2 milhões de clientes sem energia por até uma semana, despertando uma série de críticas de autoridades, especialmente do ministro Silveira, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Os fortes ventos e as chuvas intensas naquele ano causaram a queda de cerca de 1.300 árvores.
Em 2024, novo temporal afetou o fornecimento de energia em parte da área de concessão da Enel. No ano passado, após fortes chuvas e ventos com velocidade em torno de 100 quilômetros por hora, novamente centenas de milhares de consumidores ficaram sem energia.
De acordo com Cattaneo, as equipes da Enel foram a campo imediatamente após serem acionados para restabelecer as conexões, derrubadas por “árvores que se projetam sobre telhados dos clientes e usuários” que, na visão dele, ficaram “compreensivelmente chateados”.
Para ele, a outra alternativa é o investimento em redes subterrâneas. “Ou se tem cabos subterrâneos ou então [a rede] cai.”