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Raposa-voadora e vírus Nipah: não há risco de circulação no Brasil

Com quase dois metros de envergadura e aparência que lembra um pequeno cachorro alado, a chamada raposa-voadora tem chamado atenção após ser associada ao vírus Nipah, patógeno identificado em surtos recentes no Sul da Ásia e conhecido pela alta taxa de letalidade. Apesar da repercussão internacional, não há risco imediato para o Brasil, segundo o conhecimento científico atual.

A raposa-voadora pertence ao gênero Pteropus, um grupo de morcegos frugívoros que não ocorre nas Américas. Esses animais vivem principalmente no Sudeste Asiático, Oceania, Madagascar e em partes da África, onde desempenham funções ecológicas relevantes.

De acordo com especialistas, três fatores são determinantes para afastar a possibilidade de risco no território brasileiro:

  • não existem raposas-voadoras no Brasil ou em outros países do continente americano;

  • o vírus Nipah não circula na fauna brasileira;

  • a transmissão registrada ocorre principalmente entre humanos, e não por morcegos locais.

Diferentemente da maioria dos morcegos brasileiros, a raposa-voadora se orienta principalmente pela visão, possui olhos grandes e pode ser ativa ainda durante o dia. Algumas espécies ultrapassam 1,80 metro de envergadura, sendo consideradas os maiores morcegos do mundo. A alimentação é baseada em frutos, néctar e pólen, o que contribui para a dispersão de sementes e a polinização em florestas tropicais.

Estudos indicam que esses morcegos conseguem hospedar vírus sem desenvolver a doença devido a características fisiológicas específicas, como metabolismo acelerado, resposta imunológica eficiente e mecanismos avançados de reparo celular.

Do ponto de vista biológico, a possibilidade de o vírus Nipah se estabelecer no Brasil é considerada extremamente baixa, principalmente por barreiras geográficas e evolutivas. Mesmo em um cenário hipotético de entrada de um humano infectado no país, não há evidências de que o vírus consiga infectar morcegos brasileiros e criar um ciclo silvestre local.

Pesquisadores ressaltam que surtos de vírus emergentes estão frequentemente associados a mudanças ambientais, como desmatamento e expansão urbana, que aumentam o contato entre humanos e animais silvestres. Nesse contexto, morcegos exercem papel importante no equilíbrio ecológico, contribuindo para o reflorestamento, a polinização e o controle de pragas agrícolas.

A preservação ambiental segue sendo apontada como uma das principais estratégias para reduzir o risco de surgimento de novas zoonoses e eventos pandêmicos.

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