O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse à Polícia Federal (PF) que a reserva de recursos a ser feita pelo Banco de Brasília (BRB) para cobrir perdas com o Banco Master pode se aproximar de R$ 5 bilhões. Aquino foi ouvido pela PF em 30 de dezembro no inquérito que apura o suposto esquema de fraude no Master.
O Valor teve acesso à transcrição da oitiva.
No depoimento, Aquino afirmou que o BC já havia identificado que seriam necessários R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito sem lastro. Segundo ele, no entanto, a tendência é que o valor aumente por conta da “baixa qualidade” dos ativos entregues ao BRB pelo Banco Master.
“Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais de R$ 2,2 bilhões”, afirmou.
O BC já solicitou que o BRB faça uma provisão de R$ 2,6 bilhões. A informação consta no termo de comparecimento enviado pelo BC em 7 de janeiro.
Já a investigação da PF mira a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras supostamente fraudadas. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.
Aquino disse ainda que, aplicando corretamente técnicas de auditoria e governança, seria possível identificar a inexistência dos créditos. Na sua avaliação, houve falha por parte do BRB, tanto que o banco foi reiteradamente questionado por meio de ofícios do BC.
O diretor também afirmou não ter “conhecimento” de pressão de “autoridades da República” em relação ao processo para liquidar ou não o Banco Master. A decisão foi tomada pelo Banco Central em novembro, na mesma data em que o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, foi preso pela PF.
Em outro momento, Aquino afirmou que o Master não conseguia cumprir com as suas obrigações de depósitos compulsórios. Esses depósitos são arrecadados pelo BC por meio de alíquotas cobradas sobre recursos captados pelas instituições financeiras. Eles servem como um “colchão” de liquidez para o sistema bancário. “Ele (Master) não estava conseguindo cumprir o seu compulsório”, disse.
Segundo o diretor, a situação contrastava com os créditos que o Master dizia ter em sua carteira e que eram ofertados para o BRB na negociação entre as duas instituições. “Isso obviamente, como supervisor, levanta um alerta [para o BC] e necessita aprofundamento nos trabalhos”, disse.
Aquino também disse que o balanço do Master tinha inconsistências contábeis de R$ 5,5 bilhões. Essas inconsistências tinham origem na compra pelo próprio Master de ativos de outra empresa por R$ 6,7 bilhões, antes de vender R$ 12,2 bilhões em créditos para o BRB.
“Dado que o BRB pagou R$ 12 bilhões, deveria ter um reconhecimento contábil no balanço do Master de R$ 5,5 bilhões. Este reconhecimento do ponto de vista de receita não foi feito”, disse.
Por meio de nota, o BRB informou que qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master. “Essa avaliação integra a apuração do Banco Central e, também, a investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio técnico da Kroll. Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas”, acrescenta.
Ainda de acordo com a nota, para suprir possível déficit, já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises. “Além disso, o Banco informa ainda que está em curso a venda de ativos originários do Master e que os recursos podem evitar impactos na provisão.”
BC e Master não comentaram até a publicação desta matéria.
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