O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou, neste sábado (17/1), a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Classificou o movimento como uma “vitória do multilateralismo”.
“Um marco histórico de fortalecimento do diálogo e do entendimento entre os blocos, que vai criar oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, escreveu em sua página no X (antigo Twitter).
O acordo comercial foi negociado por mais de 25 anos. A cerimônia de assinatura será realizada em Assunção, no Paraguai. O país sedia a cerimônia por exercer a presidência rotativa do bloco sul-americano.
Lula não comparecerá ao evento e será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A ausência se dá porque, inicialmente, a expectativa era de que o encontro ocorresse em âmbito ministerial, já que o acordo é assinado pelos ministros dos países. No entanto, a presidência paraguaia decidiu ampliar a reunião com a presença de chefes de Estado.
O tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, ao integrar cerca de 780 milhões de consumidores e responder por aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
Com a formalização do acordo, os dois blocos econômicos assumem o compromisso de reduzir de forma progressiva as tarifas de importação sobre a maior parte dos bens negociados bilateralmente.
A expectativa do governo brasileiro era de que o acordo fosse oficialmente aprovado durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada em dezembro, em Foz do Iguaçu (PR), como um dos principais legados da presidência brasileira no bloco.
No entanto, a confirmação não ocorreu. A decisão foi adiada em meio a resistências dentro da União Europeia, especialmente de segmentos específicos que manifestaram preocupação com os termos do tratado.
Entenda o acordo
Do lado europeu, o acordo prevê a abertura gradual do mercado do Mercosul para produtos industriais, como automóveis, autopeças, máquinas, equipamentos, medicamentos e bebidas. Em contrapartida, países sul-americanos ganham maior acesso ao mercado europeu para produtos agropecuários, como carne, açúcar, etanol, suco de laranja e soja.
O texto também inclui regras sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias. Um dos pontos mais sensíveis é o capítulo ambiental, que foi revisado nos últimos anos para incluir compromissos ligados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.
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