A S&P Global Ratings elevou a nota de crédito global da Azul de “D” para “B-”, vendo uma perspectiva estável após a conclusão do seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Os analistas Henrique Koch e Luisa Vilhena escrevem que a saída do chamado “Chapter 11” deixou a companhia aérea com uma estrutura de capital significativamente mais enxuta e alavancagem controlada.
O processo de reestruturação resultou em um corte de aproximadamente US$ 1,1 bilhão na dívida financeira e de US$ 1 bilhão nas obrigações de arrendamento, o que representa uma redução de 40% na dívida bruta ajustada.
Com o reperfilamento, a agência projeta que a alavancagem da Azul, medida pela relação entre dívida e Ebitda, caia drasticamente para o patamar de 3 a 3,5 vezes em 2026, ante um nível superior a 6 vezes observado em 2024 e 2025.
Para os analistas, a frota otimizada e a nova estrutura de capital permitirão uma melhoria gradual nas margens operacionais da Azul, vendo que a companhia pode voltar a gerar caixa já em 2027 caso mantenha a trajetória de crescimento atual.
Apesar disso, a estrutura de dívida pós-restauração da Azul é altamente dolarizada, enquanto cerca de 80% das receitas da companhia são em reais, o que amplifica os riscos.
A agência ressalta que um rebaixamento da nota nos próximos 12 meses pode ocorrer se a volatilidade macroeconômica prejudicar a demanda, se os preços dos combustíveis dispararem ou se a empresa adotar um plano de investimentos agressivo.
Por outro lado, a nota poderá sofrer uma nova elevação caso a Azul demonstre um crescimento consistente de receita, Ebitda robusto e alcance o esperado fluxo de caixa livre positivo.