Realizado na manhã desta segunda-feira (26), o telefonema entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a ser organizado domingo (25) à noite, quando integrantes da Casa Branca procuraram a diplomacia brasileira para saber se o petista toparia uma conversa nesta segunda-feira (26), às 11h.
O Valor apurou que a sondagem partiu de integrantes do governo americano, mas o Brasil, por sua vez, também já vinha cobrando um novo diálogo entre os dois há semanas.
Esta foi a quinta vez que Lula e Trump tiveram algum tipo de contato desde setembro do ano passado, quando os dois chefes de Estado abriram um canal de diálogo.
O pedido para que a conversa entre eles continuasse tem como propósito o fato de que a gestão brasileira deseja algum tipo de resposta dos americanos em relação à ideia brasileira de cooperação na área de combate ao crime organizado — isso, é claro, para além do fato de que as tarifas impostas por Trump continuam incidindo sobre parte dos produtos brasileiros exportados.
Como mostrou o Valor há algum tempo, a insistência por uma parceria na área de segurança não é à toa. A “dobradinha” é considerada estratégica para a campanha à reeleição de Lula. Isso porque o governo brasileiro espera desmontar a narrativa de governadores de direita de que o Palácio do Planalto é negligente no combate à criminalidade.
Apesar da ansiedade do Planalto, os americanos ainda não selaram o acordo em questão. Ainda assim, a expectativa é que as negociações continuem até março, quando Lula deve viajar até Washington, capital americana, para cumprir a primeira visita de Estado de Lula a Trump.
“Conselho de Paz” de Trump
Na conversa desta segunda-feira, que durou cerca de 50 minutos, Lula também sugeriu ao americano que o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa da Casa Branca, seja limitada à situação na Faixa de Gaza e preveja um assento para a Palestina.
Ainda assim, o presidente brasileiro não teria dito, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), se aceitará ou não o convite para integrar o colegiado. O ajuste, proposto por Lula, tem como pano de fundo o fato de que, nos termos estabelecidos inicialmente por Trump, dificilmente o Brasil terá condições de aceitar o convite para integrar o Conselho da Paz.
A avaliação no entorno do presidente é que o Brasil não pode aceitar um convite que enfraquece instâncias da Organização das Nações Unidas (ONU) que existem há décadas, como é o caso justamente do Conselho de Segurança.
Ou seja, aceitar proposta para ocupar assento no Conselho da Paz seria o mesmo que ir na contramão da política externa brasileira, que vem defendendo o fortalecimento e a reforma de instituições multilaterais históricas.
O Valor apurou que o estatuto do tal conselho, enviado ao Brasil na semana passada junto do convite para que Lula integre a organização, deixa em aberto os campos de atuação do colegiado.
Isso fez a diplomacia brasileira acreditar que os Estados Unidos querem usar o conselho para outros assuntos geopolíticos, e não apenas para a questões da paz na Palestina, como chegou a ser divulgado inicialmente.
Por conta disso, caso Trump não aceite fazer esse tipo de distinção, dificilmente haverá espaço para que o Brasil aceite participar das atividades do Conselho da Paz.
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