O governo da Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9) a retomada das relações diplomáticas dos Estados Unidos, seis dias após o ataque a Caracas. Em comunicado, as autoridades venezuelanas condenaram a ação e afirmaram que a medida tem como objetivo abordar as consequências do “sequestro” do presidente do país, Nicolás Maduro, e definir uma “agenda de trabalho de interesse mútuo”.
O anúncio foi feito após o governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, ter libertado alguns dos presos políticos ontem. Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter “cancelado” uma segunda onda de ataques à Venezuela por considerar que o novo regime está colaborando com a Casa Branca.
No comunicado, a Venezuela diz que foi vítima de uma “agressão criminosa, ilegítima e ilegal contra seu território e seu povo”, que deixou “mais de uma centena de mortos entre civis e militares”. Também afirma que a captura de Maduro foi uma “grave violação à imunidade” dos chefes de Estado e dos “princípios fundamentais da ordem jurídica internacional”.
“Com o objetivo de tratar essa situação no marco do direito internacional e em estrita observância aos princípios de soberania e da diplomacia bolivariana de paz, o governo bolivariano da Venezuela decidiu iniciar um processo exploratório de caráter diplomático com o governo dos Estados Unidos, voltado ao restabelecimento das missões diplomáticas em ambos os países”, diz o comunicado.
“Nesse contexto, chega ao país uma delegação de funcionários diplomáticos do Departamento de Estado dos EUA, que realizará avaliações técnicas e logísticas inerentes à função diplomática. Da mesma forma, uma delegação de diplomatas venezuelanos será enviada aos EUA para cumprir as tarefas correspondentes”, acrescentou o governo na nota.
Desde 2010, EUA e Venezuela não possuem embaixadores em suas respectivas capitais. Em fevereiro de 2019, no primeiro mandato de Trump, os dois países romperam relações diplomáticas após a Casa Branca declarar que Maduro era um líder ilegítimo que havia fraudado a eleição do ano anterior e declarar apoio ao oposicionista Juan Guaidó.
Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA confirmou que uma delegação americana chegou a Caracas hoje para avaliar a reabertura da embaixada em Caracas, fechada há sete anos por ordem de Trump. Na ocasião, a Casa Branca abriu uma unidade de assuntos da Venezuela em sua representação diplomática em Bogotá, na Colômbia.
Até o momento, não há previsão de reuniões entre os representantes dos EUA e do governo da Venezuela.
Desde a captura de Maduro, Trump tem afirmado que o novo governo da Venezuela está atendendo às suas exigências, entre elas a abertura do setor petrolífero do país para empresas americanas, e que os dois países estão “se dando muito bem”. Em entrevista ao The New York Times, ele afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém contato frequente com Rodríguez.
Em postagem nas redes sociais na madrugada desta sexta-feira, o presidente americano afirmou que a libertação de presos políticos por parte da Venezuela era um sinal de que o governo de Rodríguez estava “buscando a paz”.
“Este é um gesto muito importante e inteligente. Os EUA e a Venezuela estão trabalhando bem juntos, especialmente no que diz respeito à reconstrução, de forma maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás”, escreveu Trump em uma postagem na Truth Social.
“Por causa dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques, anteriormente prevista, que parece não ser necessária. No entanto, todos os navios permanecerão na região por motivos de segurança”, acrescentou o republicano na rede social.